A crise energética, exacerbada pela guerra na Ucrânia e pelas sanções impostas à Rússia, trouxe à tona um quadro preocupante para a sobrevivência das economias europeias. Ritter aponta que o que muitos na UE consideravam uma ampla possibilidade de autonomia energética tornou-se uma armadilha, forçando a blocar a reconhecer que uma reabertura ao diálogo com a Rússia pode ser a única forma de garantir a estabilidade e o abastecimento de energia. Ele ressalta que o restabelecimento de laços com Moscou é, verdadeiramente, uma questão de sobrevivência para os europeus.
No entanto, essa reaproximação não será fácil. Ritter prevê que a UE terá de fazer concessões significativas para retomar a cooperação com a Rússia. Ele sugere que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também precisa ser reconsiderada, afirmando que a Aliança não pode ter boas relações com a Rússia enquanto existir. A grande dificuldade, portanto, seria equilibrar os interesses da OTAN com a necessidade urgente de garantir recursos energéticos.
Em uma declaração provocativa, o chanceler russo Sergei Lavrov criticou as elites europeias, alegando que elas não demonstraram capacidade de negociação eficaz e possuem um histórico de quebra de acordos. Lavrov destacou que a Rússia está aberta ao diálogo, mas não se dispôs a perseguir a Europa nessa busca. Em resumo, no cenário atual, a reabertura ao diálogo com a Rússia pode se tornar inevitável para a Europa, à medida que a “morte energética” se aproxima.





