A história do Palácio e a trajetória de Mãe Neide foram imortalizadas em sua obra “Diário de uma Mãe de Santo”, que se destacou como o título mais vendido na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. O livro não apenas documenta a vida espiritual da sacerdotisa, como também narra as adversidades enfrentadas para estabelecer este espaço cultural, desde a aquisição do terreno até inundações que quase destruíram seus sonhos.
Além das práticas religiosas, o terreiro abriga a ONG Inaê, criada há 30 anos como resposta às necessidades sociais do Village Campestre. A organização oferece serviços de saúde e formação profissional, visando promover o empreendedorismo e combater a desigualdade social. Entre as iniciativas, o laboratório de gastronomia destaca-se como uma ferramenta de empoderamento e geração de renda.
A reinauguração também trouxe a inauguração do Memorial Oxum Danguê, uma instalação interativa que narra a rica história espiritual da localidade. O evento reuniu pessoas de diversas origens, simbolizando uma crescente aceitação e celebração da diversidade cultural em Alagoas.
O legado de Mãe Neide, que é também autora de “Wa Jeun: Sabores Ancestrais Afro-Indígenas”, se consolida como uma ferramenta de resistência e educação antirracista. Sua obra é adotada por instituições como a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social, promovendo a leitura entre reeducandos e fortalecendo o diálogo cultural.
Instalada à frente de um movimento de transformação social, Mãe Neide celebra não apenas a reabertura do Palácio Oyá D’Oxum, mas também a continuidade de sua missão de união e resistência cultural. Com suas iniciativas, ela segue ampliando horizontes para as futuras gerações, reafirmando a importância da cultura afro-brasileira no cenário nacional.
