A pesquisa detectou que essa nova variante viral combina genes dos subtipos B e C de HIV, comumente encontrados no Brasil. Em função dessa combinação, o novo vírus foi classificado como recombinante, recebendo a nomenclatura CRF146_BC. Esta variante não é um fenômeno isolado; registros indicam sua presença nas regiões da Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, sugerindo uma propagação mais ampla do que inicialmente previsto.
“Nosso estudo genético no Hupes-UFBA/Ebserh identificou um vírus recombinante em um dos pacientes monitorados. Este tipo já havia sido detectado em outros três pacientes em estudos anteriores,” explica Carlos Brites, professor da UFBA e coordenador do Laboratório de Infectologia do Hupes. Brites destaca que este achado confirma a circulação do vírus recombinante na Bahia.
Os recombinantes do HIV podem se manifestar de duas formas: individualmente, quando encontrados num único paciente que passou por reinfecção, ou como recombinantes circulantes, quando se tornam transmissíveis entre pessoas. A CRF146_BC é um exemplo claro de vírus recombinante circulante, aumentando assim a urgência de melhores estratégias de monitoramento e tratamento.
Joana Paixão, bióloga e co-autora do estudo, alerta que o vírus pode estar presente em outras regiões do país sem ainda ter sido identificado. “Nem sempre conseguimos detectar genomas recombinantes porque são compostos por partes de diferentes subtipos em regiões distintas do genoma. Para uma identificação precisa, a sequência completa do genoma viral é necessária,” comenta Paixão. Isso implica que várias outras formas recombinantes do HIV podem estar circulando pelo Brasil sem pleno conhecimento.
A pesquisa ilustra tanto o dinamismo na evolução do HIV quanto a necessidade de vigilância contínua. Sobre a Hupes-UFBA/Ebserh, vale ressaltar sua integração à rede Ebserh desde 2013. Esta rede, vinculada ao Ministério da Educação, administra 45 hospitais universitários federais, promovendo atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuindo para a formação acadêmica e avanços científicos. A descoberta desta nova variante do HIV sublinha a importância dessas unidades hospitalares como centros de excelência no combate às doenças infecciosas e na inovação médica.







