Dados recentes indicam que a indústria bélica brasileira, incluindo os segmentos de aeronáutica, munições e armas leves, movimenta aproximadamente US$ 60 bilhões anualmente, o equivalente a R$ 305,5 bilhões. A crescente demanda global pela defesa e segurança é evidenciada pelas autorizações de exportação emitidas pelo Ministério da Defesa, que apontaram um aumento de 74% em 2025 em relação ao ano anterior, totalizando US$ 3,1 bilhões (aproximadamente R$ 15,7 bilhões). Este representa um marco significativo na história do ministério.
A Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil é composta por 80 empresas exportadoras que atendem a 140 países por todo o mundo. Os principais compradores de produtos bélicos brasileiros incluem Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal. Entre as principais figuras do setor, a Embraer se destaca como líder nas exportações, com seu Super Tucano, um avião de treinamento e ataque leve, que é equipado com o míssil nacional MAA-1A Piranha. Outras empresas importantes nesse cenário incluem a Avibras, especializada em mísseis e sistemas de lançamento, e a estatal Imbel, que fornece fuzis utilizados em diversas forças armadas e polícias.
No âmbito das armas leves e munições, as empresas Taurus e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) dominam o mercado nacional, representando 78% das vendas internas nos últimos anos. Ambas as empresas, reconhecidas como Estratégicas de Defesa pelo governo federal, são responsáveis por cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos, além de um faturamento anual superior a R$ 5 bilhões. A Taurus, em particular, tem sua operação fortemente ligada ao mercado externo, com mais de 80% de sua receita oriunda de exportações para mais de 100 países, sendo os Estados Unidos o principal destino.
Entretanto, o primeiro trimestre de 2025 sinalizou novos desafios, com uma queda de 37,9% nas exportações brasileiras de armas e munições em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 47,06 milhões (R$ 239 milhões). Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro concentram a maior parte da produção destinada ao exterior. Este cenário crítico se agrava diante das tensões comerciais recentes entre Brasil e Estados Unidos, especialmente com o novo pacote de tarifas que pode elevar a sobretaxa sobre determinadas exportações brasileiras em até 37,5%.
Assim, embora a Shot Fair Brasil indique um setor robusto e em crescimento, as nuances econômicas e comerciais sugerem que desafios significativos estão à espreita.
