Ao meu redor, pude observar diversas pessoas buscando preencher o vazio da espera com palavras vazias, desprovidas de conteúdo. Parecia que falavam sem cessar, como se a quantidade de frases ditas pudesse suprir a falta de profundidade em seus pensamentos. Enquanto isso, o tempo continuava seu caminho implacável, tornando-se mais um adversário naquele ambiente sufocante.
Em meio a murmúrios e olhares impacientes, uma voz se destacou: um homem, com o semblante carregado de raiva e ressentimento, desabafava sobre uma discussão recente com alguém. Suas palavras fluíam carregadas de magoa, revivendo cada detalhe da experiência como se aquilo pudesse aliviar sua alma. No entanto, sua atitude só o desgastava ainda mais, como pude perceber.
Enquanto eu observava aquela cena, lembrei de um conselho que recebi há tempos atrás: o rancor é um veneno sutil que envenena a paz de quem o cultiva. O homem preso em sua teia de ressentimento alimentava apenas o fogo que queimava dentro de si, sem perceber que a maior prejudicada era ele mesmo.
Foi então que uma voz ao microfone anunciou uma pane nos computadores da instituição, encerrando o expediente e nos liberando do local. Enquanto seguia meu caminho, não pude deixar de lembrar da lição aprendida: carregar raiva é como segurar brasas, esperando que o outro se queime. No final, quem sai ferido é aquele que segura o fogo do ressentimento.
Diante dessas situações, procuro sempre lembrar de respirar fundo, contar até cinco e pensar naqueles que realmente me trazem paz. Afinal, a vida é muito curta para ser desperdiçada alimentando sentimentos negativos que só nos prejudicam.