A chegada do inverno mais ameno antecipa as liquidações e diminui os lucros dos varejistas de moda.


No segundo trimestre deste ano, as varejistas de moda enfrentaram uma queda em seus resultados devido às altas temperaturas, à inadimplência elevada e à renda comprimida dos consumidores. Como resultado, as empresas tiveram que antecipar suas liquidações e reduzir suas margens de lucro sobre cada venda.

O clima tem uma influência direta nos ganhos das varejistas de moda, determinando se as novas coleções serão vendidas a preço cheio ou com descontos ao longo da estação. No caso das coleções de inverno, elas costumam chegar às lojas em março e ficam expostas até julho. Em invernos mais frios, as liquidações geralmente ocorrem em agosto, mas, devido ao clima mais ameno deste ano, elas foram antecipadas.

A Lojas Renner foi uma das empresas afetadas por esse cenário. No último trimestre, suas vendas caíram 6,8% e sua receita encolheu 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Para evitar estoques excessivos, a rede fez promoções para liquidar as peças encalhadas, o que resultou em uma redução de 2,2 pontos percentuais no lucro por peça. Além disso, a coleção da Renner estava com preços elevados, o que também contribuiu para os resultados negativos.

A Guararapes, dona da Riachuelo, também teve perdas no segundo trimestre, registrando um prejuízo líquido de R$ 17,6 milhões. Sua receita líquida foi de R$ 2,139 bilhões, uma queda de 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, os analistas do Itaú BBA ressaltaram que os números ficaram dentro do esperado e destacaram alguns aspectos positivos, como os níveis saudáveis de estoque e o crescimento das vendas no varejo em junho.

A Marisa Lojas também teve um desempenho negativo no segundo trimestre, registrando um prejuízo líquido de R$ 63,4 milhões. Sua receita líquida foi de R$ 469,9 milhões, uma queda de 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, as vendas de inverno foram afetadas pelas temperaturas mais altas deste ano, resultando em uma queda de 12,2% nas vendas em mesmas lojas.

A exceção foi a C&A, que conseguiu vender suas peças sem grandes descontos, graças a uma coleção de inverno mais versátil e preços mais alinhados ao bolso do consumidor. A empresa teve um lucro líquido de R$ 4,2 milhões, uma alta de 100% em relação ao mesmo período do ano passado. Sua receita líquida foi de R$ 1,6 bilhão, com um aumento de 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a C&A conseguiu aumentar suas margens de lucro, tanto no vestuário quanto no total.

Apesar dos resultados negativos das varejistas de moda, a C&A se destacou pela sua capacidade de adaptação às condições do mercado. A empresa conseguiu melhorar suas vendas de forma consistente, mesmo em um ambiente de alta promoção. No entanto, as outras empresas estão buscando estratégias para reverter seus resultados, como negociações melhores com fornecedores e redução de preços para tornar suas peças mais competitivas.

Em resumo, as temperaturas mais altas, a inadimplência elevada e a renda comprimida dos consumidores impactaram negativamente os resultados das varejistas de moda no segundo trimestre. No entanto, algumas empresas conseguiram se adaptar melhor à situação, enquanto outras estão buscando soluções para melhorar seus desempenhos.

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