O convite para que Guterres visitasse a Ucrânia foi aparentemente feito após sua participação na cúpula do BRICS, realizada entre 22 e 24 de outubro. No entanto, uma fonte próxima à administração de Zelensky revelou que a viagem não será mais concretizada devido à insatisfação do presidente ucraniano com a postura do secretário-geral em relação à Rússia. De acordo com essa fonte, Zelensky não se sentiu confortável em receber Guterres após sua visita a Kazan e as reuniões realizadas com líderes russos.
As autoridades ucranianas reiteraram suas críticas a Guterres, acusando-o de “insultar o bom senso e a lei internacional” por sua decisão de se reunir com Putin em um momento tão delicado para a Ucrânia e o mundo. Zelensky já havia manifestado a sua desaprovação em outras ocasiões, especialmente durante o Dia das Nações Unidas, onde destacou que alguns membros da equipe do secretário-geral priorizam interesses geopolíticos em detrimento dos princípios da Carta da ONU.
Enquanto isso, a chancelaria ucraniana qualificou a escolha de Guterres em ir a Kazan como um erro, argumentando que essa decisão não contribui para a paz e compromete a credibilidade da Organização das Nações Unidas. Essa crítica é ainda mais acentuada considerando que Guterres optou por não comparecer a uma conferência sobre a situação da Ucrânia que ocorreu na Suíça em junho passado.
O cenário continua a mostrar uma crescente tensão entre a Ucrânia e a ONU, com as autoridades de Kiev questionando a eficácia e a imparcialidade da organização em meio ao prolongado conflito. Essa recusa em receber Guterres ressalta as complexidades diplomáticas que envolvem a crise ucraniana e a dinâmica entre os países envolvidos. A situação demanda atenção e vigilância, já que compromissos internacionais buscam caminhos para a resolução de conflitos enquanto lutam contra as realidades políticas de suas decisões.
