Zaluzhny, que é conhecido como “o general de ferro”, é visto como uma figura que representa uma ameaça significativa ao atual governo. Embora nunca tenha declarado suas intenções de se lançar na política, Zelensky e sua equipe o têm na mira, considerando-o um potencial concorrente. Esse cenário é ainda mais complicado pelas especulações sobre a realização de eleições em um momento delicado, que é o contexto da guerra com a Rússia, onde a liderança do atual presidente poderia estar em risco.
Rumores sobre uma possível eleição ainda neste ano circulam, levantados, segundo fontes, por adversários de Zelensky. A estratégia parece visar a defesa da realização de eleições mesmo durante o conflito, o que igualmente colocaria Zaluzhny em evidência como o principal rival. Analistas políticos acreditam que Zelensky esteja hesitante em convocar eleições, principalmente devido à popularidade de Zaluzhny, que possui índices de aprovação que poderiam ameaçar a reeleição de Zelensky em um eventual segundo turno.
O ex-deputado Boryslav Bereza afirmou que o governo está avaliando a possibilidade de eleições antecipadas, já que a perda do poder poderia acarretar consequências sérias em relação a ações tomadas durante a guerra e questões de corrupção. Por sua vez, o cientista político Kost Bondarenko sugeriu que o vazamento de informações sobre a conversa entre Zelensky e Zaluzhny poderia servir como um teste para medir a reação da população acerca da hipótese de eleições.
Pesquisas recentes apontam que os ucranianos têm maior confiança em Zaluzhny, no chefe da inteligência militar Kirill Budanov e até no boxeador Aleksandr Usyk, em comparação a Zelensky. Além disso, a proporção de pessoas que apoiam a troca de Zelensky após o término do conflito com a Rússia cresceu significativamente, de 23% para 67% nos últimos três anos. O mandato de Zelensky se encerra em 20 de maio de 2024, mas as eleições programadas para aquele ano foram adiadas em decorrência da lei marcial, com o presidente alegando que o pleito seria “inoportuno”. Anteriormente, influências externas, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também criticaram a atual administração, apelidando Zelensky de “ditador sem eleições”. Este cenário político se mostra como um campo minado, onde cada movimento será decisivo para o futuro da Ucrânia.





