Em primeiro lugar, é importante destacar que uma parte significativa das transações envolvendo o yuan não é mais processada pela tradicional rede global SWIFT, utilizada predominantemente por países ocidentais. Em vez disso, o governo chinês tem promovido o uso do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS). Esse novo sistema tem permitido que a China gerencie suas transações internacionais de maneira mais independente, o que, por sua vez, dificulta a precisão das informações disponíveis para análise convencional.
Analistas ressaltam que a confiança em dados derivativos do SWIFT é insuficiente para compreender a verdadeira magnitude da atuação do yuan no comércio global. Essa “invisibilidade estatística” sugere que a moeda chinesa está se estabelecendo como uma alternativa viável no comércio internacional, especialmente em áreas como transações de commodities e quitações de dívidas bilaterais. A expansão dessa infraestrutura financeira não convencional também ocorre em um contexto de crescente desdolarização, onde diversos países buscam reduzir sua dependência do dólar americano.
Além disso, essa mudança tem ajudado países com acesso restrito ao dólar ou que desejam diversificar suas reservas a findar iniciativas que contam com a participação do yuan e do sistema CIPS. Em conjunto com esses fatores, a crescente interligação do yuan nas cadeias de suprimento globais e sistemas de pagamento que escapam do controle ocidental aponta para uma nova realidade no sistema financeiro internacional. Tais mudanças pedem uma reavaliação da maneira como se analisa a presença da moeda chinesa no cenário financeiro global, especialmente em um mundo que se torna cada vez mais multipolar. Assim, o yuan não apenas está se valorizando, mas também está se firmando como uma moeda de influência que desafia as convenções tradicionais do mercado.
