Em uma reunião anterior, o CEO da XP, Thiago Maffra, apresentou duas alternativas para o futuro da companhia. A primeira via contemplava um cenário de juros baixos, com crescimento sem uma alteração drástica no balanço financeiro. A segunda, que passa a ser vista como a rota mais provável, antevê a manutenção de juros elevados por um período extendido, o que obrigaria a XP a diversificar sua atuação no segmento de crédito corporativo para assegurar a geração de receita.
Os analistas do BTG Pactual destacam que essa nova direção é perceptível não apenas nas declarações da diretoria, mas também nas contratações recentes da companhia. A XP promoveu a troca de seu diretor financeiro, Victor Mansur, pelo experiente Gustavo Alejo, que traz uma bagagem significativa do Santander. Além disso, a empresa recrutou profissionais de destaque no mercado, incluindo um executivo do C6 Bank para liderar o segmento de pequenas e médias empresas, um novo chefe para o banco de investimento e um profissional com experiência no Itaú Corporate Banking.
Entretanto, essa transição não vem sem controvérsias. O BTG expressa preocupações sobre a aceitação dessa nova estratégia pelos investidores. O crédito, por sua própria natureza, consome mais capital em comparação com operações tradicionais de corretagem, o que pode resultar em uma diminuição do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da empresa. Essa mudança pode incrementar a aversão ao risco, dado que a formação de uma carteira de crédito de qualidade é um processo complexo e demorado.
O relatório também revela uma alteração na percepção do mercado em relação à XP. Durante a oferta pública inicial (IPO) em 2019, as ações eram negociadas a múltiplos acima de 30 vezes o lucro, enquanto atualmente esse número caiu para cerca de oito, colocando a empresa em patamares similares aos de bancos tradicionais.
Por outro lado, uma maior carteira de crédito poderia resultar em um efeito colateral positivo, permitindo à XP aumentar seus ativos e, consequentemente, fortalecer sua posição como plataforma de investimentos. Esse movimento pode diminuir a dependência de produtos de terceiros para atrair clientes.
Os analistas do BTG mantêm a recomendação de compra para as ações da empresa, com um preço-alvo de US$ 24, em comparação a uma cotação atual de US$ 16,16. No entanto, a culminância desse novo cenário financeiro da XP dependerá de três fatores cruciais: talento, alinhamento estratégico e tempo.





