XP Inc. decepciona investidores com resultados financeiros e ações despencam 3,86% na Nasdaq após balanço do 1T26 revelar fracos números de crescimento.

Na última terça-feira, investidores da XP Inc. demonstraram descontentamento com os resultados trimestrais da empresa, visto que, embora a corretora tenha reportado um aumento de 7% no lucro e 8% na receita, esses números não foram suficientes para elevar o moral do mercado. As ações da companhia despencaram 3,86% na Nasdaq, cotadas a US$ 16,67, refletindo o desânimo dos acionistas diante dos dados do primeiro trimestre de 2026, divulgados no dia anterior.

Analistas do mercado apontam que os desafios enfrentados pela XP estão relacionados, em grande parte, à compressão das margens de lucro e à queda nas receitas de renda fixa, provocadas pela ampliação dos spreads de crédito. Durante o pregão, os papéis chegaram a recuar 5,71%, atingindo um valor de apenas US$ 16,35. Em um mês, a desvalorização acumulada chega a 19,93%, e em um ano, a queda é de 10,52%.

Um fator crucial que prejudicou o desempenho da empresa foi a marcação a mercado dos ativos de crédito que mantinha em sua carteira. Com a ampliação dos spreads ocorrida em março, a receita obtida na renda fixa ficou 15% abaixo das expectativas do Banco Safra. Em números mais concretos, o lucro líquido ajustado da XP foi de R$ 1,318 bilhão, o que representa uma queda de 1% em relação ao último trimestre de 2025. A receita bruta, por sua vez, somou R$ 4,919 bilhões, também registrando uma queda de 2%.

Não obstante, um breve alívio surgiu com a crise do Banco Master, que possibilitou à XP capturar cerca de R$ 19 bilhões em recursos extraordinários de investidores ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Apesar disso, quando excluímos esses valores extraordinários, a captação líquida recorrente do varejo caiu 5% em comparação com o trimestre anterior.

Outra novidade divulgada pela XP foi a mudança em sua diretoria financeira, com a saída de Victor Mansur, que permaneceu na empresa por mais de 15 anos. Seu lugar será ocupado por Gustavo Alejo, ex-CFO do Santander Brasil, a partir de agosto. O movimento, segundo analistas, é visto como estratégico, tendo em vista a expansão das operações da corretora no setor bancário.

Apesar do cenário desafiador neste primeiro trimestre, analistas de instituições financeiras como BTG e Safra mantêm recomendações otimistas em relação à XP, embora a recuperação esperada para a empresa esteja prevista principalmente para a segunda metade deste ano. O BTG, por exemplo, mantém uma recomendação de compra com um preço-alvo de US$ 25, enquanto o Safra apresenta uma visão mais neutra, com preço-alvo de US$ 23.

Nesse contexto, é importante notar que a XP não foi a única instituição a sentir o impacto do mercado financeiro. Outras empresas, como PagBank e Banco Inter, também enfrentaram quedas nas ações, enquanto algumas, como Stone e PicPay, conseguiram se manter no positivo. No ambiente externo, um clima de incerteza geopolítica, exacerbado por tensões entre os Estados Unidos e o Irã, também contribuiu para a volatilidade do mercado, levando a uma queda generalizada nas principais bolsas americanas.

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