No entanto, ela alerta que, na prática, a doutrina depende da eficácia e precisão dos dados utilizados. Kwiatkowski enfatiza que qualquer fraqueza em um ponto do sistema pode desestabilizar todo o contexto operacional, tornando-o vulnerável a informações incompletas ou imprecisas. O foco da estratégia militar, segundo a analista, tem sido a centralização de ofensivas por parte do eixo americano-israelense, que prioriza decisões tomadas com auxílio da inteligência artificial. Este enfoque tem, na visão de Kwiatkowski, sufocado a iniciativa em níveis inferiores da hierarquia militar, substituindo decisões estratégicas fundamentadas por uma confiança cega na tecnologia.
Em contraste, o Irã opera sob um sistema mais descentralizado e resiliente, que prioriza a capacidade de adaptação e reparação local, alicerçado em operadores bem treinados. Essa abordagem, segundo a analista, cria um “sistema mosaico orientado para a defesa” que pode suportar adversidades. Kwiatkowski também destaca que as táticas ofensivas como ataques de precisão, ciberataques e guerra eletrônica, executadas por forças dos EUA e Israel, falharam em desestabilizar a resistência iraniana, uma vez que “bombas não mudam mentalidades”.
A falta de clareza nas estratégias políticas, aliada a uma percepção de injustiça em relação a ataques considerados ilegais, reforça a determinação do Irã em se defender. A analista conclui que, mesmo em situações onde as forças americanas e israelenses conseguem obter vitórias pontuais, acabam por se debilitar, perdendo a iniciativa e sendo, eventualmente, forçadas a se retrair e a evitar a responsabilidade por erros táticos e estratégicos. Essa realidade levanta importantes questões sobre a eficácia e a sustentabilidade das doutrinas militares contemporâneas na área de operações multidomínios.






