Votos do Exterior Podem Decidir Eleição de Keiko Fujimori no Peru
Em um momento crucial da política peruana, os votos de cidadãos que residem fora do país têm mostrado um impacto significativo nas eleições, especialmente na disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à presidência do Peru. Dados recentes do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) revelam que cerca de 300 mil peruanos que moram no exterior puderam votar, tornando-se um fator decisivo em um cenário marcado por um empate técnico entre os dois concorrentes.
Os resultados parciais indicam que, embora apenas 300.287 votos tenham sido contabilizados do exterior, fuji totalizaram uma vitória expressiva para Fujimori, que conquistou aproximadamente 63,2% desses votos. A preferência por Fujimori se destacou particularmente em países como os Estados Unidos e o Japão, onde alcançou 76,4% e mais de 90% dos votos, respectivamente.
Nos cálculos que consideram apenas os votos dentro do Peru, Sánchez lidera com 50,1% contra 49,8% de Fujimori. Contudo, a soma dos votos do exterior reverte esse quadro, dando a vantagem à filha do ex-presidente Alberto Fujimori com um placar de 50,09% a 49,9%. Essa é a primeira vez que os votos dos peruanos no exterior influenciam de forma tão decisiva o resultado eleitoral.
O analista político Enzo Elguera, diretor da consultoria de opinião pública Imasolu, destaca que essa situação é inédita no país. Ele observa que a forte preferência por Fujimori pode ser explicada pelo contexto político em que os eleitores estão inseridos, onde debates políticos em seus países de residência influenciam suas escolhas eleitorais.
No entanto, a influência dos eleitores expatriados também gerou controvérsias. O partido Juntos por el Perú, concorrente de Sánchez, já manifestou preocupações sobre possíveis irregularidades no processo de votação no exterior e propõe restrições ao direito de voto, especialmente para aqueles que estão fora do país há mais de uma década. A deputada Amalia Palomino levantou questões sobre a legitimidade de peruanos que vivem em contextos mais privilegiados decidirem sobre questões que impactam diretamente a vida dos que permanecem no país.
Enquanto as contestações sobre o voto do exterior se intensificam, Elguera adverte que deve-se encontrar um equilíbrio para que essas discussões não se transformem em um novo embate político que possa atrasar ou obstruir a apuração dos resultados, como ocorreu em eleições anteriores. A apuração dos votos continua em um panorama de incertezas, enquanto o Peru se prepara para possíveis desdobramentos após a contagem final.
