O episódio ocorreu em um contexto de megaoperação da polícia na região. Segundo relatos, durante patrulhamento, indivíduos em três motocicletas dispararam contra os agentes. Em seguida, um carro, que seria conduzido por Andrew, não teria obedecido à ordem de parada e avançou em direção aos policiais, resultando em um disparo que o atingiu.
Dayene contestou a narrativa policial, explicando que seu marido estava voltando de uma comemoração em um veículo de um vizinho, com o som alto e os vidros fechados. Segundo ela, havia um ônibus obstruindo a visão, o que pode ter dificultado que Andrew escutasse a ordem de parada. A última comunicação entre o casal foi realizada pouco antes da meia-noite, quando Dayene perguntara se ele já estava a caminho de casa.
Após ter conhecimento do ocorrido, Dayene dirigiu-se à Delegacia da Pavuna, mas não encontrou registro do incidente. Foi então que seguiu para o Hospital Getúlio Vargas, onde recebeu a triste notícia de que o marido havia sido baleado e não resistira aos ferimentos. “Quando consultei o policial, ele pediu desculpas, mas isso não traz o pai dos meus filhos de volta”, lamentou.
Andrew era conhecido na comunidade como mototaxista e entregador, e há pouco tempo havia iniciado um negócio de consertos de celulares a partir de casa. O casal, que estava junto há oito anos, recentemente tinha adquirido uma residência por meio de um empréstimo e lutavam para construir sua vida juntos. “Ele sempre se dedicou ao trabalho, saía de casa independentemente das condições climáticas. Agora, não sei como será o futuro”, desabafou Dayene, visivelmente abalada.
Nas redes sociais, amigos e familiares de Andrew se manifestaram em sua defesa, destacando suas qualidades e clamando por justiça. A situação é ainda mais angustiante para Dayene, que agora é responsável por dois filhos: um menino de seis anos e um bebê de apenas 28 dias. O mais velho deseja participar do enterro e expressou sua dor de forma contundente.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar reiterou sua versão dos fatos em uma nota enviada neste domingo, destacando que o motorista avançou desobedecendo à ordem de parada. Porém, a Polícia Civil ainda não atualizou informações sobre a investigação em andamento, que está sendo feita pela 31ª DP (Ricardo de Albuquerque). A situação ressalta a complexidade das interações entre a polícia e a comunidade em contextos de violência e desconfiança.






