O conceito por trás dessas “novelinhas” é intrigante: mesclar ficção e realidade com personagens inspirados em pessoas reais. Os roteiros apresentam conflitos, romances e enredos que muitas vezes apenas flertam com a verdade. Na narrativa, Virginia é frequentemente retratada, ao lado de figuras públicas como Zé Felipe, seu ex-marido, e seus filhos, que têm idades ainda infantis. Também é notável a inclusão de Vini Jr., o jogador de futebol apontado como seu atual namorado. Uma das últimas versões das histórias utiliza uma abordagem visual peculiar, na qual os personagens são representados como frutas: Virginia como uma pera, Vini Jr. como um kiwi e as crianças como bananas, em uma estética que lembrou desenhos animados infantis.
Entretanto, essa mistura de ficção e realidade não está isenta de preocupações. Embora o conteúdo seja apresentado de maneira lúdica, críticos alertam que as “novelinhas de IA” incluem referências que podem ser problemáticas. Temas como sexo explícito e violência aparecem disfarçados em uma narrativa que, superficialmente, parece inofensiva. O professor Thiago Costa, pesquisador do Laboratório CultPop da Universidade Federal Fluminense, faz um alerta pertinente: o conteúdo, apesar de sua apresentação cartunesca, é direcionado a um público adulto. Essa estética, a seu ver, pode confundir não apenas os adultos, mas também as próprias plataformas que tentam regular esses conteúdos, levantando questões sobre a proteção das crianças.
A equipe de Virginia Fonseca, ao ser questionada sobre esse fenômeno, confirmou que a influenciadora está ciente da tendência e a acompanha. Porém, preferiu não adiantar se tomará ações legais acerca do uso de sua imagem nesses vídeos, optando por um caminho de cautela. Esse cenário ressalta a complexidade das relações entre mídia digital, entretenimento e proteção do público, especialmente os mais jovens, em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia.
