De acordo com as investigações, a trama começou a ser arquitetada em 2013, logo após o divórcio do casal. No ano seguinte, Hélio formalizou em cartório uma alegada união estável com a procuradora, que à época já se encontrava em uma condição de saúde delicada. O MPRJ alega que tal relação nunca existiu e que a procuradora foi progressivamente afastada dos laços familiares enquanto o plano se desenrolava. Após a morte de Ângela, Hélio utilizou o documento questionável para solicitar a pensão, que foi aprovada e resultou em pagamentos mensais superiores a R$ 70 mil. Ao longo de sete anos, os pagamentos teriam somado cerca de R$ 7 milhões em valores brutos.
As investigações também revelaram que parte do montante recebido era repassada regularmente a Adriana, em transações que se assemelhavam a uma “mesada”, além de pagamentos a terceiros relacionados ao vice-prefeito. O MPRJ ressalta que a fraude foi cuidadosamente estruturada para garantir a continuidade dos pagamentos, utilizando-se de falsidade ideológica e a criação de vínculos que nunca existiram.
Diante dessas evidências, Hélio e Adriana foram denunciados formalmente por estelionato qualificado e falsidade ideológica. O MPRJ foi além e solicitou a suspensão dos bens dos acusados, uma medida que visa garantir o ressarcimento total dos danos causados aos cofres públicos.
Em resposta, a defesa dos envolvidos argumentou que a investigação foi realizada sem o devido processo, sem que os acusados fossem ouvidos. Além disso, alegaram que as declarações feitas por familiares da procuradora carecem de credibilidade, visto que não mantinham contato frequente. A defesa insinuou que as afirmações sobre a posse dos bens de Ângela são infundadas e que ambos, Hélio e Adriana, provarão sua inocência no tribunal. Em suma, esta complexa trama levanta questões sérias sobre a ética e a legislação na administração pública local.
