Após o veto, Emirados Árabes Unidos e Kuwait manifestaram publicamente sua frustração, sentindo-se marginalizados nas discussões que podem impactar diretamente sua segurança a longo prazo e seus planos de diversificação econômica diante da transição global para energias renováveis. Essa sensação de desamparo é reforçada pelo fato de os EUA, ao focarem em suas próprias prioridades, possivelmente ignorarem os interesses dos países do Golfo. O conselheiro dos EAU, Anwar Gargash, foi enfático ao afirmar que “a era das cortesias passou”, clamando por uma abordagem mais direta em relação aos desafios impostos pelo Irã, especificamente em relação ao seu programa nuclear e ao suporte a grupos armados.
Enquanto isso, os países do CCG apresentam opiniões divergentes sobre como lidar com a situação. Enquanto que Arábia Saudita, Catar e Omã apoiam os esforços do Paquistão para facilitar um diálogo e encerrar o conflito, Emirados, Kuwait e Bahrein demonstram maior pessimismo quanto à possibilidade de um resultado positivo nas negociações. Essa divisão interna evidencia a fragilidade da posição dos países árabes diante de um cenário em que suas capacidades de influência são limitadas.
Com a continuidade do conflito, especialistas alertam para o risco de represálias iranianas, o que deixaria os estados do Golfo em uma situação vulnerável e com poucos recursos para se defenderem. Além disso, a presença militar dos EUA na região, embora considerada um pilar importante de segurança, não confere controle total aos países anfitriões, tornando-os dependentes da dinâmica de poder entre potências globais. Em resumo, a situação no Golfo Pérsico demanda uma vigilância acentuada, e os próximos passos nas negociações irão determinar não apenas a estabilidade regional, mas também a trajetória econômica e política desses países.
