Os especialistas concordam que a reintegração pode, de fato, potencializar a capacidade energética do Mercosul, dado que a Venezuela abriga as maiores reservas não exploradas de petróleo do mundo. No entanto, essa riqueza também traz à tona riscos políticos. Eduardo Galvão, professor de políticas públicas, argumenta que, ao reatar relações com instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, a Venezuela poderia alcançar maior estabilidade interna. Contudo, ele alerta que o interesse de empresas de petróleo, especialmente as vinculadas aos EUA, pode gerar conflitos dentro do bloco.
A entrada da Venezuela no Mercosul não é apenas uma questão econômica; reflete também uma disputa geopolítica mais ampla. Para André Coelho, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a reintegração poderia fortalecer o Mercosul em um momento em que o contexto político dos países do Cone Sul é complexo. Ele sugere que a progressiva autonomia da Venezuela sobre seus recursos energéticos poderia ser fortalecida, dada a pressão que uma reintegração traria sobre as relações com os EUA.
Outro aspecto importante é como a reintegração venezuelana afetaria acordos internacionais, especialmente com a União Europeia. Ambos os especialistas concordam que não há expectativa de que Caracas mude de imediato seu status e, na verdade, a inserção no bloco pode ser um processo gradual. Dada a oposição de países europeus, como a França, a reintegração poderia complicar a ratificação de tratados existentes.
A posição dos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump e seu aliado argentino, Javier Milei, também será crucial. A Casa Branca pode preferir a Venezuela em um estado de isolamento, pois isso favorece seus interesses na região. A futura política internacional deverá estar atenta ao papel que Milei desempenhará nas negociações sobre a inserção da Venezuela no Mercosul, destacando as complexidades desse processo que afetará não apenas a própria Venezuela, mas todo o bloco sul-americano.
