Venezuela enfrenta risco de seca severa e crise energética devido à iminente chegada do Super El Niño, alertam especialistas e autoridades governamentais.

A Venezuela se encontra à beira de uma grave crise hídrica e energética com a iminente chegada de um fenômeno climático conhecido como Super El Niño, que pode ser um dos mais intensos desde 1950. Este fenômeno tem gerado preocupações não apenas entre especialistas, mas também entre órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que alertaram sobre os potenciais impactos adversos em toda a América Latina.

Em um país onde mais de 70% da eletricidade é gerada a partir de usinas hidrelétricas, as implicações desse super fenômeno são alarmantes. A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou um plano emergencial que visa economizar água e energia, fortalecendo o sistema termelétrico e promovendo uma campanha nacional para o uso responsável desses recursos. As medidas propostas incluem a adição de 480 megawatts à matriz energética nacional através de parcerias com empresas como a General Electric, e a implementação de uma estratégia para monitoramento das bacias hidrográficas, assim como uma coordenação com o setor agroindustrial para mitigar os efeitos da seca nas colheitas.

O engenheiro florestal e ex-ministro do Ecossocialismo, Ricardo Molina, explicou que o fenômeno El Niño resulta de um desequilíbrio térmico no Oceano Pacífico, que altera os padrões de vento e, consequentemente, a distribuição de umidade. Isso leva a períodos prolongados de seca, previsão que se concretiza para o intervalo de outubro de 2026 a abril de 2027, período, segundo o especialista, em que o calor deve aumentar significativamente e a chuvas deverão ser escassas ou inexistentes.

As consequências deste cenário não se limitam ao desconforto da população, mas afetam também a vida selvagem, a agricultura e a qualidade da água disponível. Molina destaca que a crise não apenas limitará a disponibilidade de eletricidade e alimentos, mas poderá também agravar as tensões sociais em um contexto já fragilizado. Ele sugere que, embora as políticas públicas de economia de recursos sejam indispensáveis, é fundamental ir além delas e promover uma conscientização ecológica contínua.

A responsabilidade social torna-se crucial, e, em sua opinião, os venezuelanos devem apoiar iniciativas como reflorestamento e preservação ambiental. Num contexto em que as mudanças climáticas se intensificam, Molina acredita que a resposta a crises como essa deve ser integrada à discussão sobre um novo paradigma civilizacional, capaz de realinhar a relação da humanidade com a natureza. Em suma, a Venezuela precisa não apenas resistir ao que está por vir, mas também se preparar para um futuro que demanda maior responsabilidade ambiental.

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