Em um país onde mais de 70% da eletricidade é gerada a partir de usinas hidrelétricas, as implicações desse super fenômeno são alarmantes. A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou um plano emergencial que visa economizar água e energia, fortalecendo o sistema termelétrico e promovendo uma campanha nacional para o uso responsável desses recursos. As medidas propostas incluem a adição de 480 megawatts à matriz energética nacional através de parcerias com empresas como a General Electric, e a implementação de uma estratégia para monitoramento das bacias hidrográficas, assim como uma coordenação com o setor agroindustrial para mitigar os efeitos da seca nas colheitas.
O engenheiro florestal e ex-ministro do Ecossocialismo, Ricardo Molina, explicou que o fenômeno El Niño resulta de um desequilíbrio térmico no Oceano Pacífico, que altera os padrões de vento e, consequentemente, a distribuição de umidade. Isso leva a períodos prolongados de seca, previsão que se concretiza para o intervalo de outubro de 2026 a abril de 2027, período, segundo o especialista, em que o calor deve aumentar significativamente e a chuvas deverão ser escassas ou inexistentes.
As consequências deste cenário não se limitam ao desconforto da população, mas afetam também a vida selvagem, a agricultura e a qualidade da água disponível. Molina destaca que a crise não apenas limitará a disponibilidade de eletricidade e alimentos, mas poderá também agravar as tensões sociais em um contexto já fragilizado. Ele sugere que, embora as políticas públicas de economia de recursos sejam indispensáveis, é fundamental ir além delas e promover uma conscientização ecológica contínua.
A responsabilidade social torna-se crucial, e, em sua opinião, os venezuelanos devem apoiar iniciativas como reflorestamento e preservação ambiental. Num contexto em que as mudanças climáticas se intensificam, Molina acredita que a resposta a crises como essa deve ser integrada à discussão sobre um novo paradigma civilizacional, capaz de realinhar a relação da humanidade com a natureza. Em suma, a Venezuela precisa não apenas resistir ao que está por vir, mas também se preparar para um futuro que demanda maior responsabilidade ambiental.




