Segundo o artigo 233 da Constituição da Venezuela, em situações de “ausência absoluta” do presidente, o comando do país deve ser transferido à vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez. Frente a esse cenário, seria responsabilidade dela convocar novas eleições em um prazo de até 30 dias, o que resultaria na escolha de um novo presidente para um mandato completo de seis anos. No entanto, Delcy Rodríguez tem afirmado que o governo não possui informações sobre a localização tanto de Maduro quanto da primeira-dama, Cilia Flores, o que amplia a instabilidade institucional e gera desconfiança acerca da situação política.
A oposição, percebendo uma janela de oportunidade, posiciona Edmundo González como um provável líder em um processo de transição. Ele já se apresenta como um candidato conglomerado nas eleições de 2024 e é apoiado por María Corina Machado, uma importante figura da oposição e recente ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Machado defende uma “transição ordenada e pacífica” e afirma contar com o respaldo de uma parcela significativa das forças de segurança.
Entretanto, também não se pode descartar a possibilidade de uma reação militar. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, declarou que a Venezuela não cederá à presença de tropas estrangeiras, considerando a intervenção dos Estados Unidos como uma das maiores ofensas que o país já enfrentou. O posicionamento das Forças Armadas se revelará crucial em determinar se a Venezuela seguirá um caminho de conformidade constitucional, uma transição política pacificada, ou se a situação se deteriorará ainda mais, intensificando o conflito interno e suas consequências para a população e a estabilidade da região.







