O presidente da Anfavea, Igor Calvet, comentou sobre essa discrepância, destacando que, tradicionalmente, a produção e os emplacamentos apresentavam um avanço convergente. Contudo, neste ano, a realidade se configurou de maneira distinta, com os emplacamentos elevando-se de forma mais robusta do que a produção nacional. Essa situação foi impulsionada por um aumento considerável na importação de veículos, que avança em ritmo acelerado.
No primeiro semestre de 2023, o emplacamento de veículos alcançou 1,42 milhão de unidades, o melhor desempenho desde 2014, apresentando uma elevação de 18,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 280 mil veículos foram importados, com a China se destacando como a maior fornecedora, enviando 140 mil unidades, o que representa um impressionante crescimento de 98,5%.
Ademais, a preferência por veículos eletrificados está em ascensão. No mesmo período, foram importados 145,9 mil veículos eletrificados, superando a quantidade de veículos a combustão, que totalizou 134,5 mil. Isso demonstra uma mudança clara nos hábitos dos consumidores e a urgência de adaptação da indústria automotiva às novas demandas.
Calvet também expressou preocupações em relação à capacidade do setor de se ajustar a essa rápida transição tecnológica. Ele ressaltou que, para a indústria automotiva, caracterizada por sistemas de produção complexos, é necessário um período de adaptação mais prolongado. A crescente concorrência das montadoras que utilizam o sistema de CKD e SKD, que permite a montagem rápida de veículos, é vista como uma ameaça à competitividade da produção local.
O presidente da Anfavea sinalizou que a prioridade não é a tecnologia em si, mas os incentivos direcionados às montadoras que adotam esses sistemas mais simplificados. Embora a Anfavea tenha decidido não contestar judicialmente a renovação das cotas para importação de kits, Calvet enfatizou a necessidade de aprimorar a governança do órgão responsável, a Camex, visando maior transparência e contrapartidas nas decisões que afetam o setor.
Nesse cenário de incertezas, a Anfavea permanece comprometida em defender a produção nacional, ao mesmo tempo em que observa atentamente as evoluções do mercado global.





