Com mais de 60 anos de existência, a Avibras é considerada uma peça fundamental na indústria de defesa nacional. A confirmação do negócio com o grupo australiano veio em meio a um cenário de incertezas e preocupações em relação à soberania do país e à capacidade de defesa.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Weller Gonçalves, classificou a negociação como um “crime de lesa-pátria” e defendeu a estatização da indústria. Ele ressaltou a importância estratégica da Avibras para a defesa nacional, especialmente em um cenário de conflito.
Além disso, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também se posicionou contrária à venda, enfatizando a importância de manter o controle nacional da empresa e de preservar os empregos e a produção no país.
Especialistas da área de defesa alertam para os riscos de ampliar a dependência externa do Brasil ao adquirir material bélico de empresas estrangeiras. Para eles, a venda da Avibras para um grupo estrangeiro pode fragilizar a soberania nacional e comprometer a segurança do país.
Até o momento, o governo não se manifestou oficialmente sobre o assunto. O deputado federal Carlos Zarattini destacou as dificuldades fiscais para uma possível estatização da empresa e ressaltou a importância de garantir a continuidade das operações da Avibras, mesmo diante dos desafios enfrentados.
Diante do impasse, os trabalhadores da Avibras têm se mobilizado para garantir seus direitos e participar das decisões relacionadas à empresa. O controle operário tem sido uma estratégia adotada pelo sindicato para garantir a participação dos trabalhadores nas negociações.
Em meio a esse cenário de incertezas e preocupações, a venda da Avibras para o grupo australiano Defendtex permanece como um tema sensível e controverso, exigindo um posicionamento claro do governo e um debate amplo sobre os rumos da indústria de defesa no Brasil.
