Valdo, atualmente com 68 anos, começou sua jornada esportiva ainda na adolescência, criando momentos de lazer para seus amigos, mesmo com recursos escassos. Sem acesso a bolas de futebol adequadas, a criatividade prevalecia: “Usávamos meias velhas para fazer uma bolinha e jogávamos nas ruas”, recorda. Essa paixão pela prática esportiva o levou a fundar a Escola Deus é Fiel, um projeto que, ao longo de quase cinquenta anos, já beneficiou centenas de meninos e meninas.
Para Valdo, o esporte transcende a paixão pelo jogo; ele considera que “o futebol ensina, forma cidadãos e tira os jovens da rua”. Esta perspectiva é evidenciada pela trajetória de seus ex-alunos, muitos deles hoje formados e contribuindo para a sociedade em profissões diversas, desde advogados até professores. O retorno deles, agora acompanhados de seus próprios filhos para treinar com quem um dia os ensinou, evidencia o vínculo e a influência que ele exerce nas vidas que toca.
Ademais, Valdo foi um precursor do futebol feminino na região, organizando as primeiras equipes da cidade e permitindo que jovens jogadoras participassem de competições relevantes, como a Copa Rainha Marta. Estas experiências não apenas proporcionaram um espaço para as mulheres no esporte, mas também moldaram memórias inesquecíveis.
Apesar das dificuldades enfrentadas, como a falta de recursos e apoio institucional, Valdo é imperturbável. “Enquanto eu tiver forças, vou continuar”, afirma, determinado a acolher e dar oportunidades a crianças em situação vulnerável. Sua visão é clara: “A criança que mais precisa é a que eu mais gosto de acolher.”
Valdo Coxinha se tornou um ícone na comunidade de Água Branca, lembrando a todos que, mesmo diante de desafios, sempre é possível fazer a diferença na vida de quem mais precisa. Seu legado é, sem dúvida, uma canção de esperança e transformação social, que ecoa através das gerações.







