USP Inova com Fábrica Portátil de Semicondutores para Reduzir Dependência de Chips Importados e Impulsionar Soberania Tecnológica Brasileira

A Universidade de São Paulo (USP) está lançando um inovador modelo de fábrica portátil de semicondutores, uma iniciativa que visa aumentar a produção nacional e reduzir a dependência de chips importados, especialmente da China e de Taiwan. Este projeto, oriundo da Escola Politécnica da USP, apresenta como solução a Pocket-Fab, uma fábrica de chips em um formato compacto, projetada para ser replicável e instalar-se em diversas regiões conforme a demanda.

Semicondutores são componentes essenciais em quase todos os dispositivos eletrônicos, e a escassez global desses produtos se tornou um ponto crítico para a indústria brasileira, que sempre dependeu de importações. Com a Pocket-Fab, a USP busca não apenas suprir essa demanda, mas também criar polos tecnológicos descentralizados. Marcelo Zuffo, coordenador do projeto, destaca que o Brasil conta com insumos abundantes, como terras raras e uma força de trabalho qualificada, o que possibilitará a construção de uma indústria robusta e autossustentável.

Com um investimento inicial de R$ 89 milhões, a iniciativa tem como meta produzir 60 milhões de chips por ano. A primeira unidade da Pocket-Fab está prevista para ser inaugurada no primeiro semestre de 2026, e a expectativa é replicar o modelo em até dez polos pelo país, cada um empregando cerca de 500 pessoas. O projeto também conta com o apoio de instituições como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Senai, que auxiliarão na adaptação da produção às necessidades do mercado e na identificação de oportunidades de exportação.

Além de visar a produção de semicondutores, a Pocket-Fab representa um avanço significativo na autonomia tecnológica do Brasil. Para Zuffo, o apoio social e institucional a essa iniciativa demonstra a prontidão do país em alcançar sua soberania tecnológica. Este movimento não apenas visa reduzir as vulnerabilidades do Brasil em relação a fornecimentos externos, mas também pretende transformar um elemento, até então subestimado, em um motor de desenvolvimento estratégico, impulsionando a indústria e a inovação nacional. O futuro da produção de semicondutores no Brasil parece promissor, com perspectivas de um setor mais forte e independente.

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