USP: Estudantes Mantêm Ocupação da Reitoria em Protesto por Melhorias em Alojamento e Alimentação

Na última sexta-feira, 8 de setembro, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram manter a ocupação da reitoria em um movimento que visa retomar o diálogo com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. A decisão de acampar no local, que começou na quinta-feira anterior, foi motivada pelo descontentamento em relação ao encerramento unilateral das negociações, que os estudantes acreditam não ter atendido suas principais demandas.

Entre as reivindicações mais urgentes estão o aumento do valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas condições das moradias estudantis e nos restaurantes universitários, conhecidos popularmente como bandejões. Os alunos relatam que a situação atual é alarmante: o Conjunto Residencial da USP (CRUSP) enfrenta sérios problemas, como falta de água e condições sanitárias inadequadas, além da insegurança alimentar, refletida em refeições com qualidade duvidosa.

De acordo com o estudante Guilherme Farpa, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a proposta recente do reitor, que inclui um aumento de apenas R$ 27 para quem recebe o auxílio integral e R$ 5 para aqueles com auxílio parcial, foi considerada inaceitável. Atualmente, os valores do PAPFE são de R$ 885 e R$ 320, respectivamente, quantias que os estudantes afirmam serem insuficientes para viver na região do Butantã e em outros campi da universidade.

Os alunos ressaltam que a USP possui um orçamento de aproximadamente R$ 9 bilhões para 2026 e questionam a alocação de recursos, citando que, em março, foi aprovada uma bonificação de R$ 240 milhões para professores. Esse contraste entre as prioridades financeiras da universidade e as necessidades estudantis causa estranhamento e revolta entre os manifestantes.

Os estudantes enfatizam que a ocupação da reitoria deve continuar até que haja uma reabertura das negociações. Para eles, o diálogo deve considerar as dificuldades enfrentadas na rotina acadêmica, que são frequentemente ignoradas pela administração da universidade.

Em resposta à situação, a reitoria lamentou a ocupação e os danos ao patrimônio, afirmando que estava tomando medidas de segurança para evitar a expansão do protesto. Em um comunicado anterior à ocupação, a administração da USP destacava que havia feito progressos nas negociações com os estudantes, enfatizando que o bem-estar da comunidade acadêmica é prioridade. No entanto, o conflito entre as partes continua, sem sinais claros de resolução.

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