Uso Ilegal de DNA de Salmão em Cosméticos Preocupa Academia Médica Brasileira

A Academia Nacional de Medicina expressou preocupações sérias sobre o uso ilegal do PDRN, um composto de DNA extraído do esperma de salmão e originário da Coreia do Sul. Embora este produto tenha a aprovação para utilização como cosmético de aplicação tópica no Brasil, ele está sendo empregado de forma inadequada para injeções ou após escarificação da pele para otimizar a absorção.

O dermatologista Omar Lupi, membro da Academia, emitiu um alerta sobre o crescente uso de PDRN como um “elixir da juventude” sem a realização de testes prévios em ambiente hospitalar para identificar possíveis reações adversas. “O produto tem sido aplicado de forma intradérmica em grandes áreas, frequentemente após a escareação da pele para uma melhor absorção, elevando substancialmente as chances de reações prejudiciais à saúde”, destacou o especialista em um comunicado.

Estudos internacionais indicam que o PDRN pode auxiliar na cicatrização de úlceras nas pernas. No entanto, mesmo com a aprovação brasileira para sua aplicação tópica em pele íntegra, o composto tem sido injetado sob a técnica de “drug delivery” (entrega de medicamentos), que utiliza microperfurações para facilitar a penetração de moléculas terapêuticas em áreas específicas da pele, seja no rosto ou no corpo.

“A maneira incorreta de utilização do PDRN tornou-se uma grande preocupação na dermatologia atual. Recentemente, um importante importador retirou voluntariamente um lote inteiro do mercado, depois de numerosos relatos de reações anafiláticas em pacientes. Evidências sugerem que produtos de outros laboratórios também enfrentam problemas semelhantes”, afirmou Lupi.

A problemática não se limita apenas às reações adversas, mas também às implicações legais e éticas para os médicos. Quando um paciente sofre uma reação, o médico pode ser responsabilizado por usar o produto de maneira inadequada, mesmo que não haja reações adversas visíveis. “O paciente tem o direito de saber como o produto está sendo utilizado e se seu uso está conforme as regulamentações brasileiras. O médico tem a obrigação ética de não usar o produto fora das especificações para não comprometer a saúde do paciente”, enfatizou o dermatologista.

A situação sublinha a necessidade de maior fiscalização e conscientização sobre os riscos associados ao uso indevido de produtos médicos e cosméticos, com o intuito de proteger tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde envolvidos.

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