SAÚDE – Uso de Canabidiol Sem Supervisão Médica Pode Aumentar Riscos e Comprometer Diagnósticos, Alertam Especialistas

Os riscos do uso do canabidiol sem supervisão médica

Nos últimos anos, o Brasil tem avançado na regulamentação do uso de cannabis medicinal, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao canabidiol (CBD) como opção terapêutica. Segundo estimativas recentes, cerca de 873 mil brasileiros estão atualmente em tratamento com cannabis medicinal. No entanto, a automedicação e o uso do canabidiol sem o devido acompanhamento médico suscitam preocupações significativas, que podem colocar em risco a saúde dos pacientes.

O médico e especialista na área, Dr. Adam de Lima Alborta, enfatiza que o canabidiol deve ser tratado como um medicamento – com a responsabilidade e o rigor que isso implica. Ele alerta que a simples prescrição do CBD sem uma avaliação clínica prévia pode expor os pacientes a riscos substanciais. Durante uma consulta médica bem estruturada, é possível realizar um diagnóstico mais preciso e compreender a origem dos sintomas, o que é fundamental para determinar se o canabidiol é a melhor abordagem terapêutica.

Um dos perigos mais destacados pelo Dr. Alborta é a possibilidade de diagnósticos imprecisos. Muitas vezes, uma melhora temporária dos sintomas pode ocultar condições de saúde mais graves, atrasando investigações médicas necessárias. Além disso, a dosagem do canabidiol não é universal; a resposta ao tratamento varia entre os pacientes, o que pode levar a efeitos colaterais indesejados ou à ineficácia do tratamento.

Outro aspecto a ser considerado são as interações medicamentosas que o canabidiol pode provocar. O CBD afeta enzimas hepáticas como o sistema CYP450, o que pode alterar a eficácia de outros medicamentos em uso, incluindo benzodiazepínicos, antidepressivos e anticoagulantes. O médico alerta que a falta de supervisão pode resultar em consequências graves, como sedação excessiva ou toxicidade.

Além disso, Dr. Alborta aconselha os pacientes a ficarem atentos a sinais de que o tratamento não está surtindo o efeito desejado, como a necessidade de aumento de dose sem benefícios claros ou até piora do quadro clínico. Nesses casos, é essencial que um novo diagnóstico e estratégias terapêuticas sejam considerados.

Ele reforça que um erro comum entre os pacientes é abordarem o canabidiol como um produto isolado, muitas vezes baseando-se em relatos anedóticos e desconsiderando interações medicamentosas. Para que o tratamento com CBD seja eficaz, ele deve ser integrado a um plano médico abrangente, não sendo visto como uma solução mágica sem uma base clínica sólida.

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