O governo, em conjunto com o Exército, decidiu que 12 desses veículos robustos serão utilizados para apoiar a atuação da Polícia em regiões onde o crime organizado apresentou um crescimento alarmante. A medida foi detalhada durante uma sessão no Parlamento pelo ministro do Interior, Carlos Negro, que ressaltou a necessidade de intensificar as operações policiais, que incluem buscas e prisões em massa em locais com altos índices de criminalidade.
Os números são preocupantes. Com uma taxa de 10,3 homicídios por 100 mil habitantes, o Uruguai apresenta índices que superam os de países vizinhos, como Argentina e Chile. A violência é particularmente concentrada em bairros pobres do oeste e norte de Montevidéu, onde as taxas de homicídios atingem até 49 por 100 mil habitantes, comparáveis a realidades muito mais perigosas em outras partes da América Latina.
Orsi, em suas declarações nas redes sociais, afirmou que a medida é parte de um esforço para combater o crime organizado, destacando que a infraestrutura de segurança do país será intensificada nesse sentido. A operação será liderada pela Polícia, que contará com o suporte dos motoristas fornecidos pelo Exército, mas manterá o controle total das ações.
Contudo, especialistas estão divididos quanto à eficácia dessa abordagem. O cientista político Julián González Guyer alertou que a introdução de veículos militares em cenários urbanos pode não ser a solução apropriada. Ele destacou que esses blindados, projetados para operar em ambientes hostis, podem ser excessivos para os desafios enfrentados nas ruas de Montevidéu. Além disso, a presença de militares em funções policiais pode criar complicações legais e desorganizar a hierarquia de comando entre as forças de segurança.
A estratégia de usar força militar em atividades de policiamento não é inédita em países da América Latina, mas a experiência mostra que essa abordagem frequentemente não traz os resultados desejados. Guyer enfatizou que, em contextos onde a violência é endêmica, a prioridade deve ser a redução da violência e não o aumento dela. O uso de força militar em áreas urbanas pode, ao contrário do pretendido, exacerbar a situação, ao invés de promover a segurança e a paz social que a população tanto almeja.
