Rui Sacramento, junto com outros dois médicos — Pedro Henrique Torrecillas e Mariano Fiore Júnior —, foi condenado em 2011 a penas que totalizavam 17 anos de prisão pelo homicídio de quatro pacientes. Este caso alarmante, que abalou a comunidade médica e a população em geral, teve seu desdobramento mais recente em 27 de maio deste ano, quando o juiz Flavio de Oliveira Cesar ordenou novos mandados de prisão contra Rui e Mariano, reforçando a gravidade das acusações que pesavam sobre eles. Vale lembrar que Pedro Torrecillas também já havia falecido, em outubro de 2024.
O escândalo começou a ser revelado em 1987, quando Roosevelt de Sá Kalume, então diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté, denunciou as práticas ilegais às autoridades competentes. Segundo as informações da época, os médicos estavam extraindo rins de pacientes sem evidências de morte encefálica, levando os órgãos para uma clínica particular na capital paulista. Esse caso ficou conhecido como o “Caso Kalume”, em homenagem ao médico que teve a coragem de trazer à tona essas atrocidades. Roosevelt de Sá Kalume, por sua vez, faleceu em janeiro deste ano.
O contexto do esquema criminoso revela que os réus integravam o corpo médico do Hospital Santa Isabel de Clínicas, agora chamado Hospital Regional de Taubaté. A intenção inicial era estabelecer um programa de transplante de rins na cidade, mas isso rapidamente se transformou em um processo macabro, onde órgãos eram extraídos dos pacientes sob a alegação de morte irreversível, frequentemente sem a certeza de que a morte cerebral havia realmente ocorrido. Relatórios do Conselho Regional de Medicina naquela época revelaram que pelo menos dois dos pacientes que tiveram os rins retirados estavam, na realidade, em coma, o que levanta sérias questões éticas e legais sobre a atuação desses médicos.
Os crimes se deram entre setembro e dezembro de 1986, impactando diretamente vidas de quatro homens: José Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobo e José Faria Carneiro, que faleceram sob a responsabilidade dessa equipe médica, sem um tratamento justo ou de acordo com os princípios éticos da medicina. As repercussões desse caso permanecem até hoje, refletindo sobre a necessidade de vigilância e integridade na profissão médica.
