UNICEF Lança Iniciativa para Promover Equidade Étnico-Racial nas Políticas Públicas de Alagoas, Focando em Crianças e Adolescentes Indígenas e Quilombolas

Maceió, AL – 20 de julho de 2026

O UNICEF inicia hoje o 4º Ciclo de Formação da edição 2025-2028 do Selo UNICEF, com enfoque na equidade étnico-racial nas políticas públicas municipais. Essa iniciativa visa fortalecer a capacidade de gestores, técnicos e mobilizadores em 94 municípios de Alagoas para enfrentar o racismo institucional, promovendo políticas públicas mais justas para crianças e adolescentes de origens indígenas, quilombolas e negras. A programação inclui dois eventos programados entre 21 e 23 de julho.

Os encontros discutirão aspectos cruciais como a adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR) e a implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Além disso, será contemplada a revisão dos Planos Municipais pela Primeira Infância (PMPI), considerando a perspectiva étnico-racial, assim como a capacitação de equipes de saúde, educação e proteção social para atender de maneira culturalmente sensível as necessidades das crianças e adolescentes dessas comunidades.

Em Alagoas, os 94 municípios participantes abrigam cerca de 677.713 crianças e adolescentes menores de 18 anos, além de 23.608 pessoas indígenas e 37.174 quilombolas. Há um número alarmante de 7.773 jovens indígenas e 11.855 quilombolas apenas na faixa de 0 a 17 anos, indicando a urgente necessidade de ações efetivas.

A chefe do escritório do UNICEF para os estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco, Immaculada Prieto, enfatiza que para promover um desenvolvimento sustentável é crucial abordar as desigualdades étnico-raciais que ainda permeiam o estado. Prieto destaca que as políticas municipais devem ter atenção especial às crianças e adolescentes das comunidades indígenas e quilombolas, garantindo que essas diversidades sejam valorizadas na construção de uma sociedade mais justa.

Os eventos ocorrerão nos dias 21 de julho, em Maceió, e 23 de julho, em Piranhas, destacando a importância da criação de um espaço de diálogo e participação das comunidades indígenas e quilombolas. Essa abordagem colaborativa é essencial para garantir que as ações refletam as realidades e necessidades locais.

Essa edição do Selo UNICEF traz uma inovação significativa ao incluir a equidade étnico-racial como parte da sua metodologia de mobilização das gestões públicas municipais. Essa agenda se torna transversal em todos os Resultados Sistêmicos do programa, que abrange áreas como saúde, educação e proteção social, podendo assim se tornar um efetivo agente de transformação e combate ao racismo nas políticas públicas.

Os dados expostos pelo Censo 2022 colocam em evidência a vulnerabilidade das populações indígenas e quilombolas no Brasil. O Censo revelou que dos 1.694.836 indígenas registrados, 35,8% são jovens entre 0 e 17 anos, e que a marginalização dessas comunidades se reflete em taxas alarmantes de violência e acesso restrito a serviços essenciais.

Para o UNICEF, essa formação não apenas visa melhorar a qualidade de vida de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, mas também busca reverter narrativas sociais perpetuadas por séculos, transformando a realidade por meio da equidade e da justiça social.

Assim, a iniciativa se mostra como um passo significativo para garantir que os direitos de todas as crianças e adolescentes sejam respeitados e promovidos, sendo um exemplo de como políticas públicas podem, efetivamente, ser construídas de forma inclusiva e representativa.

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