Nos últimos meses, houve uma orientação clara para que os líderes do bloco adotasem uma comunicação mais moderada a respeito do controle chinês sobre a exportação de metais e terras raras. Apesar dessa mudança no tom, as ações para reduzir a dependência da Europa em setores críticos continuam sendo uma prioridade. Fontes próximas ao governo europeu destacam que a UE está agora em um “modo de desescalada”, buscando persuadir a China a ampliar as licenças de exportação de minerais essenciais e facilitar a liberação dos semicondutores da Nexperia, uma empresa chinesa localizada nos Países Baixos. As negociações estão avançando em direção a um possível entendimento que ofereceria licenças anuais em vez das atuais de três meses, desde que os insumos não sejam utilizados para fins militares.
A nova política de controle sobre terras raras adotada pela China, anunciada em abril, teve um impacto negativo significativo sobre a indústria europeia. Recentemente, a situação se complicou ainda mais após o governo holandês intervir em relação à Nexperia, o que levou a restrições em suas atividades na região por questões de governança. Como reação, Pequim impôs novos controles, dificultando a exportação de chips e intensificando a já acirrada disputa comercial entre as duas partes.
Diplomatas europeus estão defendendo uma mudança na chamada “diplomacia de megafone”, que se caracteriza por declarações públicas agressivas. Durante o Fórum Europa-China, a Comissão Europeia optou por enfatizar áreas de cooperação, como questões climáticas, em vez de confrontar diretamente temas polêmicos como a Rússia ou o comércio bilateral.
Apesar da moderação verbal, Bruxelas não hesita em tomar decisões firmes frente à China. Investigações comerciais estão em curso, incluindo uma que envolve a estatal ferroviária CRRC, e novas legislações estão sendo elaboradas para mitigar riscos estratégicos. Além disso, há esforços em curso para limitar a participação da Huawei nas redes 5G e conter a crescente influência de plataformas chinesas como Shein e Temu.
Neste contexto, a postura diplomática da UE é marcada por um equilíbrio entre dialogar abertamente com Pequim e proteger os interesses da indústria europeia, refletindo uma estratégia dual que busca assegurar tanto a estabilidade nas relações quanto a segurança econômica no horizonte de uma crescente guerra econômica global.






