A Comissão Europeia justificou essa ação com base na impossibilidade do Brasil de comprovar que seus produtores atendem às rigorosas exigências sanitárias europeias. Em especial, o bloco europeu levantou preocupações quanto ao uso de medicamentos antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva. Apesar de uma proibição de parte desses medicamentos ter sido implementada pelo governo brasileiro em abril, a Europa afirma que ainda exige garantias adicionais.
Essa posição da UE está alinhada com a política de segurança alimentar conhecida como “One Health”, que visa combater o uso excessivo de antibióticos globalmente. Entre os antimicrobianos restritos pela UE estão substâncias como virginiamicina, avoparcina e tilosina. A UE representa um dos maiores mercados para as proteínas animais brasileiras, sendo um dos principais destinos das exportações de carne bovina.
É importante ressaltar que essa cautela não implica necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada, mas prioriza a regulamentação e a rastreabilidade sanitária, bem como a documentação que comprove o uso de medicamentos. Para reverter essa decisão e ser reintegrado à lista de exportadores, o Brasil precisa demonstrar conformidade total com as exigências europeias em todos os estágios da produção animal.
Um dos caminhos seria aumentar as restrições legais sobre o uso de medicamentos; no entanto, essa alternativa pode gerar custos elevados e demandar um monitoramento minucioso da cadeia produtiva. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil possui um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais avançados do mundo, cumprindo rigorosos controles que permitem a exportação para mais de 170 países.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também está atenta às movimentações da UE e acredita que as autoridades brasileiras demonstrarão a robustez dos sistemas de controle sanitário do país. A ABPA ressalta que a proibição não é um reflexo de problemas sanitários, mas sim das diferenças nos mecanismos de fiscalização. As entidades do setor privado estão colaborando com o Ministério da Agricultura para atender às exigências e reafirmam a necessidade de que as normas sanitárias sejam baseadas em critérios científicos e avaliações de risco.
