União Europeia Aprova Acordo de Livre Comércio com Mercosul: Expectativa de Ganhos para Agronegócio Brasileiro e Desafios nas Salvaguardas.

Nesta sexta-feira, dia 9 de junho, os países da União Europeia deram um passo significativo ao aprovar o acordo de livre comércio com o Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O tratado, considerado um marco nas relações comerciais entre os dois blocos, poderá ser oficialmente assinado no próximo dia 17 de junho, conforme revelou o governo argentino. No entanto, para que o acordo entre em vigor, será necessário obter a aprovação dos congressos dos países membros do Mercosul, um processo que pode demandar tempo e negociações adicionais.

O acordo é especialmente relevante para o Brasil, que vê suas exportações, principalmente no setor agropecuário, como chave para o crescimento econômico. Com um panorama desfavorável em relação ao mercado norte-americano, após a imposição de tarifas mais altas durante a presidência de Donald Trump em 2025, as trocas comerciais com a União Europeia surgem como uma alternativa promissora. Atualmente, a UE já representa o segundo maior destino das exportações agrícolas brasileiras, ficando atrás apenas da China. O novo tratado prevê a eliminação de tarifas para 77% dos produtos agrícolas provenientes do Mercosul, com um cronograma de redução que varia entre quatro e dez anos.

Entre os setores que poderão se beneficiar estão a carne bovina, a carne de frango, e o café. Esses produtos, por sua vez, são classificados como sensíveis pela União Europeia, levando à inclusão de cotas de exportação com tarifas reduzidas ou até zeradas. Isso potencializa a competitividade do Brasil, que se destaca como o maior exportador global de carne. O café, tanto solúvel quanto torrado, que atualmente enfrenta tarifas de até 9%, ficará isento de impostos em até quatro anos, equiparando o Brasil a concorrentes como o Vietnã.

Apesar dos sinais positivos, os produtores brasileiros expressam preocupações em relação às salvaguardas estabelecidas pela União Europeia, que poderão suspender temporariamente os benefícios do acordo se as importações afetarem a produção local. Mesmo diante desse cenário, o consenso é de que o acordo representa um avanço significativo após mais de 20 anos de negociações iniciadas em 1999. O tratado não apenas traz vantagens para o Mercosul, mas também para a União Europeia, que espera expandir suas exportações industriais e diminuir sua dependência de mercados como o chinês em setores estratégicos.

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