O acordo é especialmente relevante para o Brasil, que vê suas exportações, principalmente no setor agropecuário, como chave para o crescimento econômico. Com um panorama desfavorável em relação ao mercado norte-americano, após a imposição de tarifas mais altas durante a presidência de Donald Trump em 2025, as trocas comerciais com a União Europeia surgem como uma alternativa promissora. Atualmente, a UE já representa o segundo maior destino das exportações agrícolas brasileiras, ficando atrás apenas da China. O novo tratado prevê a eliminação de tarifas para 77% dos produtos agrícolas provenientes do Mercosul, com um cronograma de redução que varia entre quatro e dez anos.
Entre os setores que poderão se beneficiar estão a carne bovina, a carne de frango, e o café. Esses produtos, por sua vez, são classificados como sensíveis pela União Europeia, levando à inclusão de cotas de exportação com tarifas reduzidas ou até zeradas. Isso potencializa a competitividade do Brasil, que se destaca como o maior exportador global de carne. O café, tanto solúvel quanto torrado, que atualmente enfrenta tarifas de até 9%, ficará isento de impostos em até quatro anos, equiparando o Brasil a concorrentes como o Vietnã.
Apesar dos sinais positivos, os produtores brasileiros expressam preocupações em relação às salvaguardas estabelecidas pela União Europeia, que poderão suspender temporariamente os benefícios do acordo se as importações afetarem a produção local. Mesmo diante desse cenário, o consenso é de que o acordo representa um avanço significativo após mais de 20 anos de negociações iniciadas em 1999. O tratado não apenas traz vantagens para o Mercosul, mas também para a União Europeia, que espera expandir suas exportações industriais e diminuir sua dependência de mercados como o chinês em setores estratégicos.







