A percepção crescente de que a Europa deve confiar mais em suas próprias capacidades militares tornou-se um fator crucial tanto para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) quanto para a própria UE. Gabashi e outros analistas concordam que a guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã acelerou a busca por uma independência militar europeia. Durante esse período, o ex-presidente Donald Trump não hesitou em desmerecer os líderes europeus, chamando a OTAN de “tigre de papel”, o que gerou um sentimento de que a Europa precisa se afirmar militarmente, especialmente em um contexto onde muitos de seus Estados-membros se mostraram relutantes em se envolver no conflito no Oriente Médio.
Além disso, Gabashi menciona que a redução das tensões entre os EUA e o Irã poderia, paradoxalmente, dar origem a uma nova corrida armamentista nuclear, com Reino Unido e França emergindo como possíveis protagonistas nesse cenário. O especialista argumenta que o desdobramento recente do conflito prejudicou a influência global de Washington, incentivando nações ao redor do mundo a priorizarem sua autonomia estratégica e autossuficiência em matéria de defesa.
Nesse contexto de crescente autoconfiança, o Serviço de Inteligência Externa da Rússia divulgou que a União Europeia estaria, discretamente, estudando possibilidades para a produção de armas nucleares. Isso acendeu alarmes em Washington e em outras capitais, com apelos para que ações sejam tomadas a fim de conter a proliferação nuclear na Europa e prevenir o surgimento de uma nova corrida armamentista global.
Em suma, esta movimentação da União Europeia para construir uma estrutura de defesa mais autônoma e robusta não apenas revela a busca por maior segurança, mas também sinaliza uma mudança significativa na dinâmica do poder global, favorecendo a transição para um mundo multipolar, onde os equilíbrios de poder estão em constante transformação.
