O discurso de posse de Milei promete ser repleto de mensagens para seus apoiadores, seguido por um desfile em um conversível, demonstrando sua proximidade com a população. É esperado que o novo presidente da Argentina busque sustentar seu governo através de acordos políticos e parcerias, ao invés de um governo centralizado e unilateral.
Milei manteve uma relação conturbada com sua família, chegando a dizer que seus “progenitores” estavam “mortos” e sempre destacou seu vínculo com a irmã, Karina, que foi sua principal assessora de campanha. Além disso, os cachorros, vivos e mortos, têm um lugar de destaque na vida do novo presidente. Descrito como uma pessoa solitária, que construiu um partido político do zero, Milei é um fenômeno político inesperado que chegou longe do que muitos poderiam prever.
Oito anos antes de ser eleito, Milei era economista-chefe da Corporação América, utilizando sua exposição na TV para disseminar suas ideias e se tornando uma figura midiática relevante. Com ideias disruptivas, como a eliminação do Banco Central, Milei conquistou uma legião de fãs, principalmente entre os mais jovens, em um país afundado em crises econômicas e escândalos de corrupção.
Após sua eleição para deputado, Milei dedicou-se integralmente à política, afastando-se da Corporação América. Sua relação com o dono do grupo empresarial, Eduardo Eurnekian, é turbulenta, mas sua influência na extrema direita, apoiando-se em figuras como Jair Bolsonaro e Donald Trump, foi essencial para sua ascensão política. Em uma reviravolta surpreendente, Milei foi eleito presidente da Argentina, com 55,7% dos votos válidos, sem o apoio de governadores ou prefeitos, demonstrando sua força e popularidade.
Assim, o país vizinho recebe um novo presidente com uma trajetória improvável, mas que conquistou uma base de apoio fiel e está disposto a inserir sua visão ultradireitista na condução do país. O desafio de Milei será unificar a nação e liderar um governo que atenda às demandas de uma população diversa e exigente.





