Ufal desclassifica aluno com autismo aprovado para Medicina; família recorre à Justiça Federal para garantir vaga.

No último dia 14, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi palco de uma polêmica envolvendo a desclassificação de um aluno com autismo, que havia sido aprovado para o curso de Medicina. Davi Ramon da Silva Santos, de 21 anos, teve sua matrícula negada mesmo após apresentar o laudo que comprova sua condição.

Diagnosticado com autismo de suporte 1 aos 20 anos, Davi teve suas características identificadas por sua cunhada, Jane Silva. Segundo ela, após perceber os mesmos traços em Davi de uma pessoa autista com quem convive, procuraram profissionais para obter o diagnóstico. O jovem possui carteira de pessoa com TEA, que consta em sua identidade, e apresentou o laudo médico na inscrição para o curso de Medicina na Ufal.

A desclassificação de Davi gerou surpresa e revolta em sua família, que decidiu recorrer da decisão. Mesmo após entrar com o recurso, a resposta da universidade foi negativa. A banca de verificação, composta por avaliadores multiprofissionais com doutorado e experiência em Educação Especial e TEA, considerou que Davi não se enquadrava nas vagas destinadas a pessoas com deficiência.

Diante disso, Davi decidiu buscar amparo na Justiça Federal, entrando com um recurso que ainda não foi julgado. Ele enfatiza que a legislação reconhece o autismo como uma deficiência, independentemente do nível de suporte necessário. O jovem destaca que os desafios relacionados à socialização, comunicação e adaptação são inerentes à condição do TEA e não podem ser desconsiderados.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Ufal, que ainda não se pronunciou sobre o caso. Enquanto isso, a família de Davi aguarda uma resposta da Justiça e reforça a importância de garantir os direitos das pessoas com autismo e outras deficiências na sociedade e no ambiente acadêmico.

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