O analista Bogdan Bezpalko, que compõe o Conselho para Relações Interétnicas da Presidência da Rússia, destaca que a Ucrânia enfrenta um dilema: ao manter o conflito ativo, o governo ucraniano garante sua relevância e posição política. Segundo ele, os Estados Unidos também possuem interesses próprios nas negociações, buscando uma solução que lhes permita afirmar um sucesso diplomático, especialmente em um momento em que a figura do ex-presidente Donald Trump é invocada como a chave para terminar esse conflito.
As negociações que estão por vir ocorrem em um contexto de sigilo, o que dificulta qualquer previsão acerca de seus resultados. Bezpalko observa que pouco se sabe sobre o que será discutido, com a expectativa de que o encontro não traga um consenso definitivo, mas sim mais diálogos a serem feitos. Ele sugere que esta rodada será apenas um novo capítulo nas múltiplas tentativas de resolução, já que a primeira reunião trilateral entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia não chegou a um acordo claro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia sinalizado que o formato das negociações poderá variar, incluindo a possibilidade de uma abordagem bilateral, enquanto a Rússia enfatiza a importância de que as tropas ucranianas se retirem da região do Donbass como uma condição fundamental para qualquer solução pacífica.
Esses encontros em Abu Dhabi, marcados para o próximo domingo, dia 1º, trazem à tona não apenas as complexidades diplomáticas do conflito, mas também a fragilidade da situação política interna da Ucrânia e a interação de interesses globais que permeiam esta crise. A comunidade internacional observa atentamente, ciente de que os desdobramentos poderão ter repercussões significativas para a estabilidade regional e as relações entre as potências envolvidas.
