Fidan ressaltou que a exploração de crises internas por parte de Israel não é um fenômeno novo, porém, a atual abordagem do Mossad seria mais sutil. “Diferente de intervenções militares que geraram unidade entre os iranianos, as táticas atuais visam aprofundar divisões internas”, afirmou, referindo-se a protestos de anos anteriores que buscavam por liberdade e melhores condições de vida. Os protestos de 2019 e 2023, embora significativos, têm sido menores e, segundo Fidan, sofrem de “clara manipulação externa”.
Além disso, o chanceler turco não hesitou em criticar o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, alegando que ele estaria deliberadamente buscando um conflito militar mais amplo na região. Para Fidan, a pressão contínua sobre o Irã não só agrava o sofrimento do povo iraniano, mas também representa uma ameaça à estabilidade regional.
A diplomacia turca, segundo Fidan, busca proteger a população civil do Irã e promover soluções baseadas no diálogo para as crescentes tensões envolvendo o país, os Estados Unidos e potências ocidentais. Ele advertiu que impor pré-condições nas negociações pode isolá-lo ainda mais e criar justificativas para uma eventual ação militar por parte de Israel. Um acordo negociado, segundo a visão do chanceler, seria crucial para atenuar as hostilidades na região e poderia, inclusive, diminuir a “cobertura internacional” que justificaria agressões israelenses.
No contexto atual, a Turquia se posiciona como um ator diplomático chave, apostando numa resolução pacífica e respeitosa para as complexas interações entre nações na região do Oriente Médio. O cenário é tenso, e o papel das potências externas, como Israel, continua sendo um ponto crucial nas dinâmicas de confronto e cooperação na área.
