As estatísticas disponíveis sugerem uma recuperação após os anos difíceis provocados pela pandemia. Um boletim publicado no primeiro trimestre de 2026 aponta um aumento de 13,4% nas reservas de voos em comparação ao mesmo período de 2025. Além disso, um relatório da Federação Equatoriana de Hotéis assinala um crescimento de visitantes de 4,3% em janeiro e 9,6% em fevereiro, com a ocupação hoteleira durante a Semana Santa crescendo em 3,6%. Contudo, essas cifras, embora promissoras, não parecem refletir um aumento na confiança dos turistas.
Silvia Sinchiguano, CEO de uma agência de viagens, expressa a condição crítica do setor, afirmando que a insegurança tem sido um dos maiores obstáculos à volta dos visitantes. Para ela, as comparações com o período pós-pandêmico são desalentadoras, pois o turismo ainda não se reergueu totalmente.
Outro ponto crítico é a mudança no perfil dos turistas que visitam o Equador. Roberto Carrillo, especialista em turismo sustentável, destaca que a crise de segurança vem afastando viajantes independentes, relegando ao setor um público mais restrito, que costuma viajar em grandes grupos organizados por agências. Essa transformação decorre da necessidade de segurança, levando os turistas a evitar a exploração autônoma das cidades.
A insegurança tem gerado um efeito dominó na cadeia de negócios relacionada ao turismo. Johana Acosta Ponce, gerente de uma das maiores agências do país, relata que a imagem do Equador foi substancialmente afetada, resultando em cancelamentos de viagens e uma diminuição no tempo de permanência dos turistas.
Apesar dos desafios, o Equador permanece um destino atrativo, com uma riqueza cultural e biodiversidade única. A proximidade entre diferentes ecossistemas, como praias e montanhas, oferece aos visitantes oportunidades raras. No entanto, a construção da reputação do país agora depende, em grande parte, do que é acessado online, tornando a informação e a percepção de segurança fundamentais na decisão de viagem.
Para revitalizar o turismo, a colaboração entre os setores público e privado é considerada essencial. Sinchiguano enfatiza a necessidade de políticas que projetem o Equador como uma potência turística. Carrillo destaca a urgência de reforçar a segurança e garantir que o turismo beneficie diretamente a população local. Assim, a percepção de segurança se torna um pilar crucial para o futuro do turismo no Equador, que, apesar das adversidades, ainda tem muito a oferecer.
