Crescimento do Turismo Aéreo no Rio de Janeiro: Avanços e Desafios em Meio a Tragédias
O turismo aéreo no Rio de Janeiro está em ascensão, atraindo visitantes que buscam vistas deslumbrantes da cidade. Com uma média de 70 passeios de helicóptero realizados diariamente, aproximadamente 223 passageiros se aventuram por essa experiência a cada dia. Contudo, essa expansão revela um panorama preocupante em relação à segurança e à regulamentação das operações.
No último sábado, um acidente trágico, que resultou na morte de três turistas colombianos e do piloto, levantou uma série de questões sobre a falta de monitoramento adequado das aeronaves. Esses voos, classificados como “autocoordenados”, permitem que os pilotos se comuniquem entre si via rádio, sem supervisão constante das agências regulatórias. Isso significa que as diretrizes estabelecidas pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que incluem restrições de altitude e distância de áreas urbanas, nem sempre são seguidas.
Um levantamento recente apontou que pelo menos 34,5% dos voos realizados a partir do Aeroporto de Jacarepaguá violaram as normas de altitude mínima. Entre março e abril deste ano, foram contabilizados 3.559 pousos, dos quais 1.228 não respeitaram as altitudes mínimas estabelecidas. Essa situação é especialmente alarmante, dado que 80% do movimento no aeroporto é composto por helicópteros, que transportam não apenas turistas, mas também operam voos para plataformas de petróleo na Bacia de Campos.
O horário das 9h às 10h revelou-se particularmente problemático, com 37,42% dos 954 procedimentos registrados nesse período descumprindo as regras de altitude. Especialistas apontam que a fiscalização é precária; em muitas ocasiões, as irregularidades só são detectadas após um acidente, o que levanta preocupações sobre a segurança do tráfego aéreo na região.
Os dados da Associação dos Operadores Turísticos de Helicópteros do Rio de Janeiro (Aotherj) indicam que a cidade teve 31.759 voos panorâmicos entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, com fevereiro apresentando os números mais altos. Em contrapartida, este ano já se registraram quatro acidentes com um total de 13 vítimas fatais.
A situação fica ainda mais complexa quando se considera a ausência de uma resposta clara por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre possíveis mudanças nas rotas aéreas após os recentes incidentes. Atualmente, existe um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que tenta regular a realização dos voos, limitando manobras próximas a pontos turísticos icônicos, mas a eficácia dessa medida ainda é questionada.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) continua a investigar a queda do helicóptero no Parque Nacional da Tijuca, com a 19ª DP (Tijuca) também intervindo na apuração, incluindo entrevistas com representantes da empresa envolvida.
Para os interessados em realizar tais passeios, é fundamental verificar se a empresa possui o Certificado de Operador Aéreo e as Especificações Operativas adequadas, além de exigir uma apresentação das regras de segurança antes do embarque. Os preços para esses voos variam entre R$ 640 para um passeio de dez minutos e R$ 3.710 por uma hora, refletindo tanto a demanda quanto os riscos associados a essa forma de turismo que, apesar de ser encantadora, carece de uma vigilância mais rigorosa para garantir a segurança dos passageiros.
