Os trabalhos foram realizados ao longo de uma estrada que liga Pavia ao Piemonte e aos Alpes, e a equipe se deparou com mais de 20 cemitérios da Alta Idade Média, muitos em condições excepcionais. Entre os túmulos encontrados, destaca-se um que possui uma cruz vermelha pintada, indicando que se tratava de um sepultamento de alto status social. Essa descoberta não só contribui para a compreensão das hierarquias sociais na época, mas também para a análise dos rituais associados à morte e ao enterro dos nobres. Além desses, foram identificados sepultamentos de monges que viveram no local, revelando uma transição cultural e religiosa na região ao longo dos séculos.
A pesquisa é apoiada pela fundação suíça Plus Patrum Lumen Sustine, que tem proporcionado os recursos necessários para aprofundar o estudo sobre a área e seus habitantes antigos. Em um esforço para enriquecer as conclusões obtidas até agora, amostras coletadas durante as escavações serão analisadas em cooperação com o Laboratório de Antropologia e Odontologia Forense da Universidade de Milão. Isso permitirá que os pesquisadores determinem o perfil biológico dos indivíduos enterrados, bem como possíveis relações de parentesco, gênero, status social, dieta e estilo de vida.
Uma das questões mais intrigantes que esses estudos poderão responder é se os indivíduos sepultados eram nativos da região ou possuíam vínculos com populações do norte da Europa. Já há registros que indicam essa conexão em outras necrópolis lombardas na Itália, e os resultados das análises podem trazer luz a uma troca cultural mais rica do que se pensava anteriormente.
A pesquisa arqueológica não apenas contribui para a preservação da história, mas também evidencia a importância de compreender as raízes culturais e sociais que moldaram a Europa contemporânea. As descobertas feitas em Pavia são um lembrete do valor histórico presente em escavações que, a cada nova camada de terra removida, revelam histórias de um passado complexo e fascinante.




