TST Reconhece Direito de Richarlyson a Adicional Noturno e Gera Implicações para Futebol Brasileiro e Clubes em Nova Decisão Judicial.

A 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) fez história ao determinar, por unanimidade, que o ex-jogador Richarlyson tem direito ao adicional noturno por partidas realizadas após as 22h durante seu tempo no Atlético-MG, entre 2011 e 2014. Esta decisão é significativa não apenas para o ex-atleta, mas também para todo o cenário do futebol profissional brasileiro, pois sinaliza a aplicação das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a essa modalidade esportiva.

A análise do tribunal ressalta que, mesmo em face de legislações específicas como a Lei Pelé, os jogadores devem ser considerados trabalhadores, com todos os direitos atrelados a essa condição. Assim, é garantido a eles um acréscimo de ao menos 20% no salário para atividades desempenhadas entre 22h e 5h, além da contabilização da hora noturna como equivalente a 52 minutos e 30 segundos — um fator que pode influenciar diretamente na remuneração.

Richarlyson havia protocolado a ação em 2016 com o argumento de que suas jornadas se estendiam até a madrugada, resultando em partidas que iniciavam pouco antes das 22h. Nas instâncias inferiores, o pedido foi negado, baseado na noção de que a realização de jogos nocturnos é parte inerente da profissão. Entretanto, o TST divergiu nesse entendimento, oferecendo perspectiva de que a proteção trabalhista deve se sobressair independentemente das especificidades do esporte.

Importante ressaltar que, até o momento, o processo ainda não finalizou sua tramitação legal, uma vez que se encontra na fase de análise de embargos de declaração, e o Atlético-MG está revisando alternativas legais para contestar a decisão. O clube, em sua nota oficial, enfatizou que a discussão se amplia além do caso individual, colocando em xeque a compatibilidade entre a Lei Pelé e os direitos garantidos pela CLT.

Com a nova jurisprudência, há um potencial para que outros atletas sigam o exemplo de Richarlyson e busquem o adicional noturno na Justiça. Contudo, a advogada Fernanda Pio alerta para as implicações que essa decisão poderá causar aos clubes, que podem enfrentar dificuldades financeiras e até a necessidade de rever a forma de contratação de jogadores. Segundo ela, essa situação pode resultar na redução de salários e, em última instância, impactar negativamente a qualidade dos campeonatos, criando um efeito dominó em toda a estrutura do futebol brasileiro. A gestão desses direitos trabalhistas emergentes se torna, assim, um tema no centro das discussões acerca do futuro do esporte no país.

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