O magistrado acolheu os argumentos da defesa e indicou que havia indícios de que o questionário utilizado poderia ter sido um instrumento de indução aos entrevistados. A percepção de que Flávio Bolsonaro enfrentava desgaste não apareceu somente nesta pesquisa, mas também foi corroborada por levantamentos realizados por outras instituições, como Quaest e Datafolha.
Em sua decisão, Nunes Marques enfatizou que a continuidade da divulgação de uma pesquisa cuja validade metodológica estava sob dúvida poderia ter impactos negativos irreversíveis no contexto eleitoral, especialmente devido à rápida disseminação de informações por meio das plataformas digitais e veículos de comunicação. Ele informou que a AtlasIntel deve se abster de qualquer ação que promova ou mantenha a pesquisa até que o TSE decida sobre seu conteúdo.
O ministro ressaltou que a questão levantada não se limitava a uma mera discussão sobre os métodos empregados pela Atlas, mas envolvia alegações consistentes de que o questionário teria induzido os entrevistados a uma percepção negativa de Flávio Bolsonaro, especialmente devido à estrutura das perguntas e uso de termos carregados de valor negativo.
A defesa do PL argumentou que a pesquisa induziu resultados desfavoráveis ao senador, vinculado ao escândalo conhecido como “Master”. Nunes Marques viu argumentos mínimos que poderiam sugerir um comprometimento da imparcialidade do levantamento feito. Observou ainda que o CEO da Atlas, em uma entrevista, reconheceu a existência de um viés político nas questões apresentadas aos entrevistados.
Em uma etapa subsequente, o ministro fixou um prazo de dois dias para que a AtlasIntel apresente documentação técnica para esclarecer os pontos levantados. Após essa fase, o Ministério Público Eleitoral se manifestará sobre o assunto, que retornará ao TSE para uma deliberação final sobre a validade da pesquisa. Este desdobramento reflete a constante vigilância sobre a integridade do processo eleitoral, especialmente em um momento em que a credibilidade das pesquisas se torna cada vez mais crucial.




