O ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o TSE, foi o relator do processo e sustentou que não seria apropriado reajustar os tetos de gastos neste ciclo eleitoral. Um dos principais fundamentos para essa decisão foi o veto do presidente da República em relação ao reajuste do Fundo Partidário, que havia sido aprovado pelo Congresso Nacional na sanção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026. Além disso, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) permanece congelado, mantendo-se no patamar de R$ 4,9 bilhões, o mesmo valor definido em 2022.
De acordo com o ministro, ajustar os limites de gastos em meio a essas restrições poderia resultar em uma distorção significativa. Mesmo que, formalmente, os tetos fossem elevados, na prática, os partidos contariam com menos recursos para financiar suas campanhas. Essa análise reflete uma preocupação em manter a equidade financeira entre as diversas legendas e garantir uma disputa eleitoral mais equilibrada.
Outro aspecto abordado por Nunes Marques em seu voto foi o impacto que um eventual aumento dos limites de gastos poderia ter sobre as políticas de cotas, que buscam aumentar a representatividade de grupos historicamente marginalizados na política. Ele alertou que, caso os limites de gastos fossem elevados, haveria uma maior pressão sobre os partidos por parte de mandatários em busca de orçamentos mais robustos, o que poderia prejudicar o financiamento de candidaturas favorecidas pelas cotas.
Nesse contexto, o ministro ressaltou que recebeu solicitações de praticamente todas as direções partidárias para que os tetos de 2022 permanecessem intactos. Manter esses valores, segundo ele, contribuiria para um ambiente eleitoral mais previsível e menos propenso a que cargos tradicionais ofusquem novas candidaturas, especialmente aquelas que surgem em decorrência de ações afirmativas. Essa decisão do TSE, portanto, representa um passo significativo na regulamentação dos gastos eleitorais, refletindo uma preocupação com a integridade do processo democrático e com o equilíbrio entre as diferentes forças políticas no país.
