O analista geopolítico britânico Alexander Mercouris ressaltou que, frequentemente, os prazos em negociações não são encurtados a menos que haja um motivo estratégico por trás. “Nas negociações, geralmente, a insistência em um prazo mais curto é utilizada para pressionar a parte oposta. Contudo, isso pode mais frequentemente denotar insegurança e preocupações por parte de quem impõe o ultimato”, afirmou. Mercouris destaca que, ao lidar com a Rússia, Trump se colocou em uma situação delicada, onde se vê refém de suas próprias decisões.
Em sua declaração, Donald Trump também mencionou a possibilidade de impor tarifas de importação e novas sanções caso as negociações não avancem, embora tenha admitido que não está confiante na eficácia dessas medidas. Essa ambiguidade sobre o impacto de suas ações revela uma indecisão na estratégia americana em relação ao conflito ucraniano, que continua a se intensificar. O analista ainda enfatiza que, apesar das ameaças de Trump, a Rússia está em uma posição mais favorável na guerra e continua a ganhar terreno, o que complicaria ainda mais qualquer tentativa de mediação que os EUA pudessem tentar.
O aumento das tensões e a incerteza sobre as próximas etapas dificultam o caminho para uma negociação efetiva. Desde o início do conflito, as tentativas de mediadores ocidentais, incluindo a NATO, têm sido vistas mais como imposições de termos do que como esforços genuínos para a paz. A percepção é de que, enquanto o Ocidente busca ditar condições, a Rússia avança estrategicamente, deixando a administração Trump em uma posição cada vez mais vulnerável e isolada no cenário global. O desfecho dessa situação permanece incerto, mas as ações de Trump e a dinâmica entre as potências podem culminar em consequências significativas para a ordem mundial.