Trump propõe retorno do canal do Panamá aos EUA, especialista considera declaração um erro diplomático e uma provocação à soberania panamenha

Recentemente, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração que gerou polêmicas e reações adversas no cenário internacional. Em 22 de dezembro, Trump afirmou que exigirá o retorno imediato do canal do Panamá à soberania dos EUA, citando as altas tarifas de passagem como justificativa para essa demanda. A afirmação foi interpretada como um retrocesso nas relações diplomáticas entre os dois países e um retorno à mentalidade de dominação que caracterizou a política externa americana nas décadas passadas.

A importância do canal do Panamá para o comércio mundial e para as operações da Marinha dos Estados Unidos não é novidade. No entanto, essa insistência de Trump em reverter um tratado que garantiu a soberania panamenha sobre o canal desde 1977 gera preocupações significativas. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, não hesitou em responder, ressaltando que a soberania de seu país é inegociável e que o canal pertence exclusivamente ao Panamá, de acordo com os termos do Tratado Torrijos-Carter, amplamente celebrado na América Latina e apoiado de forma bipartidária nos EUA.

Arturo López Levy, professor de ciência política, abordou as declarações de Trump como um erro de avaliação diplomática e uma tentativa de reviver uma era de império americano que não se sustenta nos dias atuais. Segundo ele, essa postura não corresponde ao consenso estabelecido entre especialistas em política externa na América, e representa um risco desnecessário de agravar as já tensas relações entre os EUA e países latino-americanos.

López Levy também chamou atenção para a possibilidade de que as declarações de Trump sejam um “ensaio” para medir as reações, ao invés de uma intenção genuína de reverter o tratado. Contudo, ele advertiu que essa retórica pode pressionar os formuladores de políticas a agir conforme as declarações de Trump, levando a consequências inesperadas e potencialmente danosas.

É crucial notar que o canal do Panamá representa aproximadamente 6% do comércio global, além de facilitar cerca de 60% dos contêineres que vão da Ásia para a costa leste dos EUA. Portanto, o impacto dessas declarações não se limita apenas às relações bilaterais, mas pode ter repercussões na dinâmica comercial global.

Além disso, essa não é a primeira vez que Trump faz afirmações controversas sobre países da América, sugerindo até que o Canadá e o México se tornassem estados dos EUA em vez de continuarem a receber subsídios. Essas declarações, além de reacender o debate sobre a doutrina Monroe, levantam questões sobre o futuro das relações diplomáticas na região. Em suma, a situação é complexa e demanda um entendimento cuidadoso das implicações históricas, políticas e econômicas envolvidas.

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