Na análise de Dugin, a figura de Trump e sua crítica explícita ao globalismo e ao liberalismo simbolizam uma crescente insatisfação entre os cidadãos americanos em relação às elites que controlam as estruturas de poder. A escolha de J.D. Vance como vice-presidente é vista como uma confirmação desse movimento, já que ele representa a “direita pós-liberal”, evidenciando uma nova perspectiva que questiona os fundamentos do liberalismo que dominaram as últimas décadas.
Durante a campanha de Trump, o liberalismo se tornou um termo negativo, especialmente na boca de seus seguidores, que passaram a associar a ideologia às falhas das elites governantes. Essa demarcação entre o “trumpismo” e o liberalismo reflete uma ampla desilusão com um sistema que, em sua visão, não só falhou em atender às expectativas do povo, mas também promoveu a decadência cultural e moral.
Dugin argumenta que este fenômeno não é isolado, mas parte de um ciclo histórico mais amplo que assinala o fim do que ele chama de “momento liberal”. Isso significa que o liberalismo, uma ideologia que se apresentava como a vitoriosa e definitiva, pode estar se encaminhando para um colapso inexorável. Diante desse cenário, o filósofo antecipa a emergência de um novo sistema de valores e uma nova ordem mundial que substituirá o liberalismo.
Por fim, a análise de Dugin não apenas aponta para uma mudança nas dinâmicas políticas dentro dos Estados Unidos, mas também sugere uma transformação mais ampla no equilíbrio de poder global. A Era dos Descobrimentos, que deu início à hegemonia ocidental, estaria assim se aproximando de seu fim, dando lugar a uma nova configuração internacional que poderá desafiar as normas estabelecidas e promover uma realidade multipolar.





