Trump como Messias: Messianismo político e risco de autoritarismo nos EUA nas promessas de um novo mandato

Donald Trump, durante sua cerimônia de posse em 2025, evocou elementos religiosos ao afirmar que sua vida foi salva por Deus com a missão de “fazer a América grande novamente”. O discurso, repleto de referências judaico-cristãs, ressalta a forte intersecção entre religião e política em sua administração, que já se insinuava durante sua presidência anterior. Tal abordagem não apenas busca reatar a conexão com os eleitores, mas também destaca um traço messiânico em sua retórica, fomentando a ideia de que ele é o escolhido para restaurar a grandeza da nação e defender valores tradicionais.

O professor Fabio Nobre, do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Estadual da Paraíba, argumenta que o messianismo político de Trump revela uma conexão simbólica com a proteção divina, sugerindo que ele se vê como um salvador em um momento de crise. Segundo os analistas, essa postura não é exclusiva da direita. A espiritualidade como ferramenta para a política é uma prática arraigada na história dos Estados Unidos, onde presidentes de diferentes espectros ideológicos muitas vezes se apropriaram de discursos religiosos para legitimar suas agendas.

Entretanto, a utilização de referências religiosas apresenta riscos. A polarização social pode aumentar, especialmente se ele continuar a se apresentar como o redentor de apenas uma parte da população, os seus apoiadores. Especialistas alertam que esse culto à figura do líder pode abrir espaço para práticas autoritárias, uma vez que a legitimidade política se transfere do consentimento democrático para uma espécie de mandado divino, dificultando críticas e questionamentos à sua liderança.

Enquanto Trump mantém um forte apelo junto ao eleitorado evangélico, que representa uma parte significativa de sua base, análises indicam que a fé religiosa pode se tornar um fator determinante na continuidade de seu apoio político. O vice-presidente J.D. Vance, por exemplo, incorpora uma visão católica conservadora à Casa Branca, alinhando-se a juízes da Suprema Corte que refletem valores semelhantes.

No entanto, o eleitorado religioso também é exigente e pode não oferecer um apoio incondicional. Aqueles que se sentem desconsiderados podem rapidamente se distanciar de um líder que não atenda às suas preocupações. As eleições de 2024 mostraram que uma maioria significativa dos católicos e protestantes votou em Trump, mas o apoio entre grupos de fé não cristã foi notavelmente baixo.

Dessa forma, o futuro político de Trump poderá depender da sua capacidade de alinhar suas promessas e ações às expectativas de um eleitorado religioso em um cenário marcado por crescentes divisões políticas e sociais.

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