Especialistas alertam que a imposição dessas tarifas pode gerar uma série de impactos negativos, não só nas relações bilateral entre os países, mas também no próprio mercado doméstico americano. A medida é vista como mais uma tentativa de Trump de pressionar as negociações comerciais através da ameaça de tarifas, uma estratégia que, segundo analistas, pode acabar prejudicando empresas e consumidores nos Estados Unidos. A dependência econômica que o México tem dos EUA, especialmente em setores como automotivo e de eletrônicos, significa que os efeitos colaterais da política tarifária também serão sentidos do lado americano, possivelmente resultando em aumento de preços e inflação.
Adicionalmente, o especialista em estudos estratégicos Renato Ungaretti argumenta que a relação entre México e China tornou-se cada vez mais relevante. À medida que os EUA se tornam mais hostis, o México pode considerar alternativas e se voltar para a China, que tem aumentado sua presença comercial na América Latina. O comércio entre México e China, embora esteja em estágios iniciais de transformação, já apresenta uma sinergia significativa, com a China investindo em setores industriais do México. Essa dinâmica sugere uma possível mudança de paradigmas nas relações comerciais, com o México buscando diversificar suas parcerias.
O professor Alexandre Coelho, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, complementa que a abordagem dos EUA pode ser interpretada como um erro estratégico, criando um vácuo de poder que outros países, especialmente a China, estão prontos para explorar. Coelho ressalta que a tentativa de pressionar o México pode gerar desconfiança e distanciamento entre os dois países, permitindo que a China ofereça uma alternativa viável e atrativa para o México, com propostas de investimentos e desenvolvimento tecnológico em áreas estratégicas como telecomunicações e manufatura.
Essas dinâmicas colocam o México em uma encruzilhada, onde a habilidade de equilibrar suas relações com as duas potências se tornará crucial. Ao mesmo tempo em que busca fortalecer sua autonomia econômica, o país terá que manobrar cuidadosamente entre os interesses dos EUA e as oportunidades oferecidas pela crescente influência chinesa na região.






